Investigação

Banco Master estruturou esquema de documentos falsos, diz Polícia Federal

Relatório da PF detalha como o Banco Master produziu e manipulou arquivos digitais e comprovantes para validar operações financeiras com o BRB.

Imirante, com informações do G1

Banco Master está no centro de um escândalo no país
Banco Master está no centro de um escândalo no país (Rovena Rosa/Agência Brasil)

BRASÍLIA - Documentos incorporados a uma investigação da Polícia Federal revelam que o Banco Master estruturou um esquema interno voltado à fabricação e manipulação de arquivos digitais para legitimar transações bilionárias com o Banco de Brasília (BRB). O material foi recuperado de uma apresentação institucional apreendida durante as diligências e detalha uma engrenagem que envolvia desde a automação na criação de papéis até orientações para burlar auditorias externas.

A Polícia Federal revelou que o Banco Master utilizou dados de clientes do programa CredCesta em massa para criar procurações e cédulas de crédito falsas. Em um dos episódios mapeados pela perícia, um funcionário empregou ferramentas de automação de escritório para produzir milhares de termos em lote, que posteriormente compuseram as amostras enviadas para comprovar o lastro das carteiras comercializadas com a instituição pública.

Tentativas de ocultação e manipulação

O relatório da PF aponta que o Banco Master organizou equipes de diversos níveis hierárquicos para executar as fraudes corporativas. Mensagens resgatadas nos dispositivos corporativos mostram discussões explícitas sobre a remoção de datas, exclusão de horários de assinaturas eletrônicas e supressão de dados de identificação em comprovantes de transferência, medidas tomadas para dificultar o rastreamento das irregularidades.

Ao enfrentarem questionamentos sobre contratos inconsistentes, dirigentes do Banco Master instruíram funcionários a tratarem tudo como meros erros operacionais. Para a corporação policial, a repetição sistemática desses artifícios corrobora um padrão de gestão fraudulenta, enfraquecendo os mecanismos de controle e pondo em xeque a validade de dezenas de bilhões de reais em negociações no sistema financeiro.

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