Crise no STF

Ministros do STF veem alívio com adiamento de fala de Moraes

Ministros do STF celebram o cancelamento do pronunciamento de Alexandre de Moraes, previsto para esta quinta-feira (10), evitando ampliar a crise interna.

Ipolítica, com informações de O Globo

- Atualizada em 10/09/2026 às 15h32
Ministros do STF avaliam que adiamento de fala de Moraes evitou ampliar a crise na Corte e dar mais destaque à operação sobre “Dark Horse”.
Ministros do STF avaliam que adiamento de fala de Moraes evitou ampliar a crise na Corte e dar mais destaque à operação sobre “Dark Horse”. (Luiz Silveira / STF)

BRASIL – Uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu com alívio a decisão do ministro Alexandre de Moraes de adiar o pronunciamento que faria nesta quinta-feira (10). A avaliação entre esses magistrados é que uma manifestação neste momento poderia ampliar a crise interna da Corte.

A expectativa era que Moraes fizesse uma defesa pública diante das suspeitas relacionadas à sua atuação e às mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, investigado por suspeitas de comandar um esquema de fraudes financeiras.

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O pronunciamento estava marcado para as 11h, mas foi cancelado menos de uma hora depois de anunciado. Segundo o STF, a manifestação será remarcada para uma “data oportuna”.

Operação sobre “Dark Horse” pesou na avaliação

Integrantes do STF também avaliam que uma fala de Moraes poderia gerar ruídos diante da operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de desvios de emendas parlamentares para empresas ligadas à produtora do filme “Dark Horse”, que narra a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nesse contexto, a avaliação é de que o pronunciamento poderia acabar chamando mais atenção do que a própria investigação conduzida pela PF.

A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, que também determinou a transferência para seu gabinete de um inquérito da Polícia Civil de São Paulo relacionado à empresária Karina Ferreira da Gama, sócia da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme.

Fala ocorreria após decisões de Fachin

O pronunciamento de Moraes seria realizado um dia depois de o presidente do STF, ministro Edson Fachin, tomar uma série de decisões relacionadas aos procedimentos que estão no centro da crise da Corte.

Entre as medidas adotadas por Fachin estão a convocação de uma sessão para analisar relatório da PF que trata de mensagens de Daniel Vorcaro e a retirada de Moraes da relatoria do inquérito das fake news.

A expectativa em torno da manifestação aumentou justamente pelo momento em que ela foi anunciada. Seria a primeira fala pública de Moraes após Fachin revogar sua designação para comandar o inquérito das fake news, aberto em 2019 e conduzido pelo ministro por mais de sete anos.

Fachin preservou os atos praticados durante esse período e passou a concentrar na Presidência do tribunal a condução do procedimento.

Moraes faria defesa da atuação no inquérito

Segundo interlocutores, Moraes pretendia abordar no pronunciamento sua atuação à frente do inquérito das fake news e defender as medidas adotadas ao longo dos mais de sete anos de investigação.

Também havia a possibilidade de o ministro mencionar episódios de ameaças sofridas por integrantes do Supremo durante esse período, em uma defesa da necessidade das medidas adotadas pela Corte.

A decisão de Fachin ocorreu em meio à crise que envolve Moraes e o ministro André Mendonça, além dos desdobramentos do caso Banco Master.

Nos últimos dias, o presidente do STF passou a assumir um papel mais direto na administração do impasse e na definição do destino de investigações que atingem integrantes da própria Corte.

Mensagens de Vorcaro colocaram Moraes no centro da crise

O pronunciamento também ocorreria após Moraes se tornar alvo direto dos questionamentos provocados pela divulgação de mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro.

O conteúdo das mensagens desencadeou uma sequência de decisões e reações dentro do STF e aumentou a pressão sobre Fachin para encontrar uma saída institucional para o impasse.

Com o adiamento, ministros avaliam que a Corte ganha espaço para conduzir os procedimentos e decisões relacionados à crise sem que uma manifestação pública de Moraes, neste momento, amplie ainda mais a tensão interna.

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