eleições 2026

Lula diz a Trump que Brasil não aceita ingerência nas eleições

Em entrevista, Lula afirmou a Trump que o Brasil não aceita interferência externa nas eleições 2026 após aumento de tarifas comerciais sobre o País.

Ipolítica, com informações do G1

Lula afirmou que disse a Trump que o Brasil não aceita ingerência nas eleições e comentou as relações comerciais entre os dois países.
Lula afirmou que disse a Trump que o Brasil não aceita ingerência nas eleições e comentou as relações comerciais entre os dois países. (EFE/ Sarah Yenesel/ Jim Lo Scalzo ARQUIVO)

BRASIL – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (4) que disse ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o Brasil não aceita interferência estrangeira nas eleições. A declaração foi dada durante entrevista à Rádio Progresso, de Juazeiro do Norte (CE).

Questionado sobre a possibilidade de os Estados Unidos interferirem no processo eleitoral brasileiro deste ano, Lula afirmou que uma eventual tentativa não seria aceita pelo país.

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Se tiver, vai perder. Eu disse para o Trump isso. Seguinte, nós não aceitamos ingerência de ninguém nas eleições. E se entrar, vai perder”, declarou o presidente.

Lula e Trump conversaram por cerca de 1h20 no fim de agosto, após um pedido do presidente brasileiro. Segundo o Palácio do Planalto, a conversa teve tom “amistoso e cordial”.

Durante a ligação, Trump perguntou a Lula sobre as eleições de outubro. Segundo informações da diplomacia brasileira, o presidente afirmou que o processo eleitoral estava ocorrendo de forma tranquila e confiável.

Ainda de acordo com os diplomatas, a pergunta foi feita de maneira casual. Trump não teria levantado especulações sobre o sistema eleitoral brasileiro nem questionado a segurança das urnas eletrônicas.

Lula comenta relação com os Estados Unidos

Na entrevista, Lula também falou sobre a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos e afirmou que mantém uma boa relação com Trump.

O presidente criticou os efeitos das tarifas impostas pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros, mas disse que o país deve buscar novos mercados caso os Estados Unidos reduzam as compras de produtos brasileiros.

Essa taxação do Trump fez com que a relação comercial caísse, mas crescemos em 17 países. Todos os países que visitei cresceu mais de 10%. Se EUA não quiser comprar da gente, vou ficar chorando, resmungando? Não, vou procurar quem quer comprar”, afirmou.

Lula também disse que o Brasil precisa ser respeitado nas relações internacionais.

Brasil e EUA retomam negociações sobre tarifas

Após a conversa entre Lula e Trump, Brasil e Estados Unidos retomaram as negociações sobre as tarifas aplicadas pelo governo norte-americano às exportações brasileiras.

Na segunda-feira (31), os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), participaram de uma reunião virtual com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e outros integrantes dos dois governos.

Após o encontro, os ministérios brasileiros afirmaram que não concordam com o que classificaram como tratamento “discriminatório” e “injusto” dos Estados Unidos contra produtos brasileiros.

O governo brasileiro também informou estar aberto ao diálogo para novas negociações.

Os ministros reiteraram, ademais, que o governo brasileiro não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o país, que não são compatíveis com as regras multilaterais de comércio”, informou nota conjunta das duas pastas.

Tarifas adicionais

Os Estados Unidos anunciaram recentemente duas tarifas adicionais sobre produtos brasileiros comercializados no mercado norte-americano.

As medidas são:

  • 25%: aplicada sob o argumento do governo dos Estados Unidos de que o Brasil adota práticas consideradas desleais contra empresas norte-americanas em seis setores, incluindo Pix, desmatamento, propriedade intelectual e etanol;
  • 12,5%: aplicada sob a justificativa de que dezenas de países, entre eles o Brasil, não teriam proibido ou fiscalizado adequadamente a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.

Em resposta, o Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que as medidas norte-americanas são discriminatórias e violam compromissos assumidos pelos Estados Unidos no âmbito da organização.

O governo norte-americano afirmou estar disposto a negociar, mas ainda não indicou se haverá reversão das tarifas.

Diplomatas brasileiros avaliam, nos bastidores, que uma eventual decisão da OMC não deverá resultar, por si só, na retirada das tarifas. A avaliação é de que a iniciativa, no entanto, registra internacionalmente a posição do Brasil sobre o conflito comercial.

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