COMÉRCIO EXTERIOR

União Europeia suspende importações de carnes e produtos do Brasil

Embargo da União Europeia a carnes, mel, pescados e ovos do Brasil começa nesta quinta (3). Veja o que acontece agora e quando as vendas podem voltar.

Ipolítica, com informações do G1

- Atualizada em 03/09/2026 às 11h19
União Europeia suspende importações de carnes e produtos do Brasil
União Europeia suspende importações de carnes e produtos do Brasil (Reprodução)

BRASIL - A União Europeia bloqueia, nesta quinta-feira (3), a entrada de carnes, mel, pescados e ovos exportados pelo Brasil. A medida impede, inicialmente, a exportação de carnes bovina, suína e de frango, além de pescados, mel e ovos para os 27 países do bloco.

A decisão foi anunciada pela União Europeia em maio, após o Brasil ser retirado da lista de países considerados aptos a cumprir as regras europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.

A medida, no entanto, pode ser revertida. Nesta semana, representantes da União Europeia realizam uma auditoria no Brasil nas cadeias de produção de frango e mel. A inspeção deve ser concluída até esta sexta-feira (4), mas o resultado ainda será analisado pelas autoridades europeias, em um processo que pode levar cerca de dois meses.

Segundo uma porta-voz da Comissão Europeia, o Brasil é considerado um parceiro importante do bloco e as exportações poderão ser retomadas caso seja comprovado o cumprimento das exigências.

Por que a União Europeia suspendeu as importações?

A decisão está relacionada às regras europeias para o uso de antimicrobianos na pecuária.

O bloco proíbe o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento ou medicamentos reservados ao tratamento humano na pecuária.

Segundo o material enviado, a medida não foi motivada pela identificação de irregularidades na carne brasileira, mas pela avaliação de que os mecanismos de controle adotados pelo Brasil não seriam suficientes para atender às exigências europeias.

Em abril, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria proibindo o uso de alguns antimicrobianos, entre eles avoparcina, virginiamicina e bacitracina.

Em junho, o governo brasileiro anunciou ainda um novo protocolo de controle que prevê o rastreamento dos animais desde o nascimento até o abate para comprovar que essas substâncias não foram utilizadas.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirma que todas as empresas associadas e habilitadas a exportar para a União Europeia já aderiram ao protocolo.

O que acontece agora?

O próximo passo é a conclusão da auditoria realizada pela União Europeia nas cadeias de frango e mel no Brasil.

Mesmo após o encerramento da inspeção, a decisão não será automática. O resultado precisará ser analisado pelo Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (SCoPAFF), da Comissão Europeia.

O setor avícola aposta na auditoria da União Europeia para garantir a volta das exportações ainda em 2026.

A situação da carne bovina, porém, é diferente. Mesmo que a União Europeia reverta o embargo, o Brasil não deverá conseguir retomar imediatamente as exportações dentro das novas regras.

Isso ocorre porque os animais precisam cumprir os protocolos durante todo o ciclo de produção. O período entre o início da adequação e o abate pode variar de 24 a 36 meses.

Já no caso do frango, o ciclo de produção é de aproximadamente 45 dias.

Impacto para a carne bovina

A carne bovina está entre os produtos brasileiros mais afetados pela suspensão, embora as exportações para a União Europeia representem uma parcela relativamente pequena do total vendido pelo Brasil ao exterior.

Embora represente apenas 5,8% das vendas totais, a União Europeia é um mercado estratégico por adquirir cortes brasileiros nobres.

A entidade afirmou que a carne brasileira continuará sendo comercializada nos demais mercados para os quais o país está habilitado, mas ressaltou que não existe substituição automática do mercado europeu, já que diferentes destinos demandam tipos de cortes distintos.

Setor de frango espera retomada

O setor avícola também acompanha a auditoria realizada pela União Europeia.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as empresas brasileiras já mantêm procedimentos específicos para a produção destinada ao mercado europeu.

A entidade afirma que a produção para a UE é segregada e que o setor não utiliza promotores de crescimento nem antibióticos de uso humano nos produtos destinados ao bloco.

Caso o embargo seja mantido, a expectativa é redirecionar a produção para o mercado interno e para outros países que já importam o frango brasileiro.

O Brasil comercializa o produto com cerca de 150 países.

Mel também é afetado pelo embargo

O mel brasileiro também está entre os produtos atingidos pela suspensão europeia.

Segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), as vendas para a União Europeia vinham crescendo neste ano, especialmente após o aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos, que tornou o mercado norte-americano mais caro para os exportadores.

No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras de mel para a Europa chegaram a US$ 6,3 milhões, o dobro do registrado no mesmo período anterior, segundo a entidade.

O setor afirma que o principal risco relacionado às novas exigências está na possibilidade de contaminação cruzada, como em situações em que colmeias estejam próximas de áreas de criação de gado.

Brasil tenta reverter decisão

Desde o anúncio do embargo, o governo brasileiro vem negociando com a União Europeia para tentar reverter a medida.

Em maio, o Brasil chegou a propor um período de transição para adequação às novas regras, mas a proposta foi recusada pelo bloco.

O novo protocolo de controle sobre antimicrobianos passou a ser uma das principais medidas adotadas pelo Brasil para demonstrar conformidade com as exigências europeias.

Apesar do início do embargo nesta quinta-feira, a União Europeia mantém aberta a possibilidade de retomada das exportações caso o Brasil consiga comprovar que atende às regras estabelecidas pelo bloco.

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