escala 6x1

Lula e Marinho trocam acusações sobre fim da escala 6x1

Lula acusa aliados de Flávio Bolsonaro de travar o fim da escala 6x1, enquanto o senador Rogério Marinho alerta para riscos de desemprego e alta inflação.

Ipolítica, com informações de O Globo

Lula e Rogério Marinho trocam acusações sobre o fim da escala 6x1 após PEC avançar na CCJ, mas não chegar ao plenário do Senado.
Lula e Rogério Marinho trocam acusações sobre o fim da escala 6x1 após PEC avançar na CCJ, mas não chegar ao plenário do Senado. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

BRASIL – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o coordenador-geral da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), senador Rogério Marinho (PL-RN), trocaram acusações nesta quinta-feira (3) sobre o avanço da proposta que prevê o fim da escala 6x1.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na quarta-feira (2), mas não chegou ao plenário. O governo não tinha segurança de reunir os 49 votos necessários para aprovar uma mudança constitucional.

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Lula atribuiu o adiamento à atuação de aliados de Flávio Bolsonaro, incluindo Marinho. O coordenador da campanha do senador reagiu e acusou o presidente de tentar enganar a população ao defender a redução da jornada sem diminuição dos salários.

Lula acusa aliados de Flávio

Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que a oposição, liderada pelo coordenador da campanha de seu adversário, atuou para impedir o avanço da proposta.

Enquanto tentávamos avançar com a PEC que acaba com a jornada 6x1 no Senado, a oposição, capitaneada pelo coordenador da campanha do meu opositor nessa corrida presidencial, atuava para impedir o avanço da pauta”, afirmou.

O presidente disse ainda que a população deveria saber quem trabalha pela aprovação da medida e quem tenta impedir uma mudança que, segundo ele, pode garantir mais um dia de descanso aos trabalhadores sem redução de salário.

A aprovação do fim da escala 6x1 é uma das principais bandeiras da campanha de Lula para ampliar sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro.

Marinho reage e critica proposta

Rogério Marinho respondeu às declarações de Lula nas redes sociais. O senador chamou o presidente de “mal-intencionado” e afirmou que a redução da jornada sem corte salarial teria consequências para empresas e trabalhadores.

Marinho classificou a proposta como “golpe da picanha 2” e afirmou que a medida poderia provocar aumento de preços, fechamento de empresas, desemprego e crescimento da informalidade.

O coordenador da campanha de Flávio também acusou Lula de ser um “ladrão da esperança”.

Na avaliação do entorno de Flávio Bolsonaro, as críticas de Lula fazem parte de uma estratégia para desgastar eleitoralmente o senador. Ao mesmo tempo, aliados consideram que o embate pode reforçar a polarização entre os dois candidatos e ampliar o protagonismo de Flávio na disputa presidencial.

Governo evita confronto direto com Congresso

Apesar de Lula ter cobrado anteriormente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e outros senadores pela aprovação da PEC, a estratégia dos aliados do presidente passou a ser evitar um confronto direto com a cúpula do Congresso.

O objetivo é concentrar as críticas em Flávio Bolsonaro e seus aliados.

A orientação também foi defendida pelo secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, que integra a coordenação da campanha de Lula. Em uma publicação, ele afirmou que “o Congresso não é inimigo do povo”, mas que os apoiadores de Flávio Bolsonaro seriam.

O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), reconheceu na quarta-feira que a base governista não tinha segurança de reunir os 49 votos necessários para aprovar a mudança constitucional.

Marinho liderou resistência à PEC

Enquanto a PEC avançava na CCJ, Rogério Marinho assumiu o protagonismo da resistência à proposta dentro do grupo político de Flávio Bolsonaro.

O senador tentou construir uma alternativa ao texto e defendeu um modelo baseado em jornadas de trabalho mais flexíveis.

Após a votação na comissão, Marinho também criticou a possibilidade de a PEC ser levada ao plenário entre os dois turnos das eleições.

É um negócio complicado”, afirmou.

Na votação da CCJ, apenas quatro senadores registraram voto contrário ao texto. Apesar da aprovação, a proposta não foi encaminhada ao plenário nesta semana.

Flávio cumpre agenda no Sul

Enquanto a discussão sobre a escala 6x1 ocorria em Brasília, Flávio Bolsonaro cumpria agenda de campanha no Rio Grande do Sul.

O senador participou de compromissos ligados ao agronegócio durante a Expointer, em Esteio, e encerrou o dia com um comício em Porto Alegre.

A campanha de Lula, por sua vez, tenta transformar o fim da escala 6x1 em uma das principais pautas de mobilização eleitoral, enquanto aliados de Flávio buscam apresentar a proposta como uma medida com possíveis impactos econômicos para empresas e trabalhadores.

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