Eleições 2026

Pesquisas apontam redução do Centrão no Senado

Nas Eleições 2026, pesquisas mostram avanço de PL e PT no Senado. Centrão pode perder 10 vagas enquanto candidatos disputam 54 cadeiras decisivas.

Ipolítica, com informações do O Globo

Pesquisas para o Senado apontam avanço de PL e PT e possível redução do Centrão, mas esquerda e bolsonarismo ainda ficam longe da maioria.
Pesquisas para o Senado apontam avanço de PL e PT e possível redução do Centrão, mas esquerda e bolsonarismo ainda ficam longe da maioria. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

BRASIL – As primeiras pesquisas de intenção de voto para o Senado nas eleições de 2026 apontam para uma possível redução do espaço ocupado atualmente por partidos do Centrão, enquanto PL e PT aparecem entre as siglas com candidatos mais bem posicionados. Apesar do avanço dos dois campos, os levantamentos indicam que nenhum deles teria, isoladamente, força suficiente para formar maioria na Casa.

Neste ano, 54 das 81 cadeiras do Senado estarão em disputa, com duas vagas para cada estado e o Distrito Federal. Os outros 27 senadores cumprem a segunda metade de seus mandatos.

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Levantamento realizado pelo GLOBO a partir de pesquisas Quaest nos estados, com exceção de Piauí e Ceará, onde foram considerados dados do Datafolha, e do Pará, que ainda não tinha levantamento divulgado, mostra que 13 candidatos do PL aparecem atualmente entre os dois primeiros colocados.

Caso esse cenário se confirme nas urnas, o PL passaria de 10 para 23 senadores, considerando também os parlamentares da legenda que permanecem no Congresso.

PL e PT avançam na disputa

O PL, partido do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, é a legenda que mais lançou candidatos ao Senado. São 33 postulantes distribuídos por 25 estados.

O partido não apresentou candidatos no Amapá e em Alagoas, onde apoia Arthur Lira (PP).

Além dos 13 candidatos que aparecem nas duas primeiras posições, outros sete candidatos do PL estão numericamente em terceiro lugar, mas empatados tecnicamente com o segundo colocado dentro da margem de erro.

O PT aparece como a segunda legenda com maior número de candidatos bem posicionados. Nove postulantes do partido estão atualmente nas duas primeiras colocações das pesquisas.

A estratégia petista para o Senado está relacionada à busca por maior governabilidade para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual quarto mandato.

Em 22 estados, pelo menos um candidato de PT ou PL aparece entre os dois primeiros colocados.

Maioria qualificada exige 54 votos

Apesar do crescimento projetado para PL e PT, os dois partidos ainda estariam distantes de controlar o Senado.

A Casa possui 81 senadores, e algumas decisões exigem maioria qualificada de dois terços, equivalente a 54 votos.

É o caso, por exemplo, de processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o professor de Ciência Política da FGV EAESP Marco Antônio Carvalho Teixeira, caso o cenário das pesquisas se confirme, será necessário ampliar a negociação entre os diferentes grupos políticos.

O Senado é conhecido como a casa do equilíbrio e da busca pela moderação. Se esse cenário se confirmar, vai exigir um esforço de negociação grande de qualquer um dos lados.”

Teixeira também apontou a possibilidade de haver dificuldades para a aprovação de propostas caso não seja construído um acordo entre os diferentes grupos.

Eleitorado ainda pode mudar cenário

O resultado das eleições para o Senado ainda pode sofrer alterações até outubro, principalmente devido ao elevado número de eleitores indecisos ou que ainda não conhecem os candidatos.

Em alguns estados, como Minas Gerais, esse grupo supera 90%, de acordo com os levantamentos citados.

Pesquisa Quaest divulgada em agosto também mostrou que a defesa do impeachment de ministros do STF influencia diretamente a decisão de apenas 11% dos eleitores.

Segundo o levantamento, fatores como o envio de emendas para o estado e o volume de obras realizadas têm peso maior na escolha dos candidatos.

Emendas ampliam tensão entre Congresso e STF

A discussão sobre as emendas parlamentares também está relacionada às tensões entre o Congresso e o STF.

Na semana passada, durante uma videoconferência na Universidade de São Paulo (USP), o ministro Flávio Dino afirmou que as emendas são o “maior vetor de corrupção” da burocracia estatal. Dino é relator, no Supremo, de processos relacionados às verbas parlamentares.

Para a professora de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Mayra Goulart, os conflitos relacionados às emendas ultrapassam o campo político da direita e podem gerar convergência entre parlamentares em ações contra ministros do STF.

“Um movimento anti-Supremo relacionado às emendas pode dar uma coesão inédita ao Legislativo”, afirmou.

A relação entre o Senado e o STF também envolve as regras para pedidos de impeachment de ministros da Corte.

No ano passado, o ministro Gilmar Mendes defendeu uma mudança para que pedidos de impeachment contra integrantes do Supremo fossem atribuição exclusiva da Procuradoria-Geral da República (PGR), reduzindo o papel do Senado.

Após reação de parlamentares, houve revisão parcial do entendimento. O Senado manteve a possibilidade de receber as denúncias, mas passou a ser exigida maioria qualificada para o andamento dessas ações.

Os 54 votos também são necessários para a aprovação de Propostas de Emenda à Constituição (PECs).

Centrão pode perder espaço

Atualmente, 34 das 54 cadeiras que estarão em disputa pertencem a partidos identificados como integrantes do Centrão.

Considerando o cenário indicado pelas pesquisas, esse grupo poderia perder cerca de dez vagas para partidos como PDT, PSB e Novo.

Apesar da possível redução, o Centrão ainda aparece competitivo em alguns estados.

Em Alagoas, por exemplo, Arthur Lira (PP) lidera a pesquisa com 20% das intenções de voto. Renan Calheiros (MDB) aparece em seguida, com 18%, tecnicamente empatado com Marina JHC (PSDB), que tem 15%.

Disputa segue indefinida em estados importantes

No Rio de Janeiro, a disputa também apresenta divisão entre candidatos de diferentes campos políticos.

Benedita da Silva (PT) aparece numericamente à frente, com 10%. Carlos Jordy (PL) tem 7%, enquanto Marcelo Crivella (Republicanos) e Carlos Portinho (PL) registram 5% cada, configurando empate técnico.

Entre os candidatos associados à esquerda, Monica Benício (PSOL) aparece com 5%, e Pedro Paulo (PSD), com 3%.

Em Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL) aparece em segundo lugar, mas empatado tecnicamente com Carol de Toni (PL). O senador Esperidião Amin (PP), que busca a reeleição, lidera a disputa.

Carlos Bolsonaro registra 21% na intenção de voto para a primeira vaga, mas aparece com 12% quando os eleitores indicam o segundo voto.

No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL) lidera a corrida ao Senado com vantagem, de acordo com o levantamento citado.

Em São Paulo, três candidatos aparecem tecnicamente empatados: Guilherme Derrite (PP) e Marina Silva (Rede), ambos com 12%, e Simone Tebet (PSB), com 11%.

O cenário, porém, ainda pode sofrer mudanças até a eleição, diante do alto número de eleitores indecisos e da possibilidade de alteração nas intenções de voto ao longo da campanha.

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