BRASIL – A Polícia Federal (PF) terá acesso a informações apreendidas pela Polícia Civil de São Paulo durante uma operação contra o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG ligada à produtora do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O compartilhamento dos dados foi autorizado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão proferida na última sexta-feira (21). O material será utilizado no inquérito que apura a suspeita de que emendas parlamentares possam ter sido utilizadas para financiar a produção do filme.
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A decisão de Dino é sigilosa e foi revelada pelo jornal O Globo.
PF vai analisar documentos e dados financeiros
Entre os materiais que poderão ser analisados pelos investigadores estão dados extraídos de computadores e celulares, documentos contábeis, notas fiscais, comprovantes de pagamentos e registros financeiros.
Também foram disponibilizados dados brutos e relatórios produzidos a partir das mídias apreendidas pela Polícia Civil.
Segundo a PF, os elementos podem contribuir para aprofundar e acelerar a investigação conduzida no STF. O Instituto Conhecer Brasil é considerado pelos investigadores uma peça central na apuração sobre o possível uso de recursos de emendas parlamentares.
A Polícia Federal também investiga as relações empresariais da empresária Karina Ferreira da Gama, dona do instituto e sócia da produtora Go UP Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”.
ONG é investigada em São Paulo
O Instituto Conhecer Brasil foi alvo, em junho, da Operação Wi-Fi, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo. A investigação apura suspeitas de fraude em um contrato de internet pública firmado com a Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 108 milhões por ano.
A Polícia Civil também apura se parte dos recursos relacionados ao contrato teria sido desviada para financiar a produção do filme sobre Bolsonaro.
Além da sede da ONG, foram cumpridos mandados em endereços ligados a Karina Ferreira da Gama e a outras empresas.
Investigação sobre emendas parlamentares
O inquérito no STF foi aberto após Flávio Dino solicitar à Controladoria-Geral da União (CGU) uma apuração sobre emendas destinadas pelos deputados Mário Frias, Marcos Pollon e Bia Kicis ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura (ANC).
Segundo a investigação, as duas entidades estariam vinculadas a um mesmo núcleo de gestão coordenado por Karina Ferreira da Gama.
A PF também analisa as relações empresariais da empresária e de suas empresas, além de possíveis doações eleitorais relacionadas aos parlamentares e demais pessoas investigadas.
O compartilhamento dos dados apreendidos pela Polícia Civil permitirá que os investigadores cruzem as informações com os elementos já reunidos no inquérito que tramita no Supremo.
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