Investigação

Oposição cobra avanço da PF em investigação sobre Lulinha

Novas mensagens envolvendo filho de Lula e empresária levam parlamentares a pedir depoimento, preservação de provas e novas medidas no caso

Ipolítica, com informações de O Globo

- Atualizada em 19/08/2026 às 15h45
Oposição cobra avanço da PF em investigação sobre Lulinha após novas mensagens e pede depoimento e preservação de provas.
Oposição cobra avanço da PF em investigação sobre Lulinha após novas mensagens e pede depoimento e preservação de provas. (Reprodução)

BRASIL – Parlamentares da oposição cobraram o avanço das investigações da Polícia Federal (PF) envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, após novas revelações sobre sua relação com a empresária Roberta Luchsinger e o ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.

As novas informações incluem mensagens encontradas pela PF e uma minuta de contrato para a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. Diante dos elementos, parlamentares defendem que Lulinha seja ouvido e que as provas já reunidas sejam preservadas.

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Roberta Luchsinger teria enviado a Marcola uma minuta de contrato para a venda de canabidiol ao Ministério da Saúde, com dispensa de licitação. Segundo as informações divulgadas, a empresária havia sido contratada por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, para tentar viabilizar o negócio.

A operação, no entanto, não avançou. Marcola confirmou a interlocutores que recebeu o documento, mas afirmou que não o encaminhou.

Mensagens entre Lulinha e empresária

A PF também encontrou diálogos entre Lulinha e Roberta. Em uma das conversas, a empresária afirmou que os dois estavam trabalhando em “outro nível” e escreveu: “Nosso futuro é Suíça”.

Lulinha respondeu: “Isso. Deixa eles. Trabalho para caralho e nunca dá em nada”.

Em outro diálogo, Roberta mencionou Marcola e um almoço com “Berger”, identificado nas investigações como Swedenberger Barbosa, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde.

Lulinha afirmou que aquele seria o terceiro encontro com Marcola e relatou que o então chefe de gabinete de Lula pedia que as reuniões fossem reservadas.

As mensagens passaram a ser utilizadas pela oposição para questionar a relação entre Lulinha e integrantes do entorno do presidente.

Oposição pede novas medidas

Candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) e ex-relator da CPI do INSS, Alfredo Gaspar afirmou que as novas informações reforçam suspeitas envolvendo pessoas próximas ao presidente.

Já o senador Carlos Viana (PSD-MG), que presidiu a CPI do INSS, anunciou que pretende pedir ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), providências para que Lulinha seja ouvido e para preservar as provas reunidas durante a investigação.

Na Câmara dos Deputados, o líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), prepara uma representação à Procuradoria-Geral da República (PGR). O parlamentar também pretende pedir a preservação das provas e o depoimento de Lulinha.

O caso ainda foi repercutido por integrantes da família Bolsonaro nas redes sociais. Flávio Bolsonaro publicou uma reportagem sobre as mensagens e relacionou as suspeitas envolvendo Lulinha ao caso dos descontos indevidos em benefícios de aposentados.

Lulinha é investigado pela PF

Lulinha é investigado em três inquéritos por suspeita de tráfico de influência no governo. Uma das linhas de investigação envolve justamente sua relação com Roberta Luchsinger.

Segundo as informações divulgadas, a empresária recebeu R$ 1,5 milhão do Careca do INSS, dividido em cinco parcelas de R$ 300 mil, para atuar na tentativa de viabilizar a venda de canabidiol ao Ministério da Saúde.

A defesa de Lulinha nega irregularidades. Os advogados afirmam que vão se manifestar nos autos depois de terem acesso integral aos dados obtidos por meio das quebras de sigilo e também pretendem pedir a apuração do que classificam como “instrumentalização” de instituições por interesses políticos e eleitorais.

Roberta também negou ter repassado dinheiro a Lulinha. Em depoimento à PF, afirmou que os valores recebidos do Careca do INSS correspondiam a serviços de consultoria.

Ministério da Saúde nega negociação

O Ministério da Saúde afirmou que nunca houve possibilidade de compra de canabidiol porque o produto não está incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS).

A pasta também declarou que não houve contrato nem discussão na atual gestão para a oferta do medicamento na rede pública.

O caso segue sob investigação da Polícia Federal, enquanto parlamentares da oposição pressionam por novas diligências e pelo depoimento de Lulinha.

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