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Conversa entre Lula e Trump deve incluir tarifaço, visto e guerra na Ucrânia

Presidente pretende falar com o líder dos EUA na próxima semana para discutir crise diplomática, tarifas sobre produtos brasileiros e outros temas.

Ipolítica, com informações de O Globo

- Atualizada em 06/08/2026 às 13h59
Conversa entre Lula e Trump deve abordar tarifaço, visto da embaixadora brasileira, guerra na Ucrânia e crise diplomática entre os países.
Conversa entre Lula e Trump deve abordar tarifaço, visto da embaixadora brasileira, guerra na Ucrânia e crise diplomática entre os países. (Ricardo Stuckert/PR / Fotos Públicas)

BRASIL – A conversa entre Lula e Trump pode ocorrer na próxima semana e deverá abordar temas que elevaram a tensão entre Brasil e Estados Unidos nas últimas semanas. Segundo aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o objetivo é aproveitar o contato para tentar reduzir a crise diplomática entre os dois países.

Ainda não há uma data definida para o telefonema. A possibilidade foi sinalizada por Lula a aliados de partidos de esquerda na quarta-feira (5), conforme relatos de pessoas que acompanharam as conversas.

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Entre os principais assuntos que podem entrar na pauta estão o tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, a revogação temporária do visto da embaixadora do Brasil em Washington e a guerra na Ucrânia.

Tarifaço deve ser um dos principais temas

O governo brasileiro pretende utilizar a conversa entre Lula e Trump para discutir as tarifas anunciadas pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros.

A medida foi criticada pelo Palácio do Planalto, que já acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) e mantém negociações diplomáticas para tentar reduzir os impactos das novas tarifas sobre as exportações nacionais.

A expectativa é que Lula reforce a posição do governo brasileiro durante o diálogo com o presidente norte-americano.

Revogação do visto da embaixadora também deve ser discutida

Outro assunto previsto para a conversa entre Lula e Trump é a decisão do governo dos Estados Unidos de revogar temporariamente o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti.

Segundo o Departamento de Estado norte-americano, a medida foi adotada em reciprocidade porque o governo brasileiro ainda não concedeu o agrément — autorização diplomática — ao indicado pelos Estados Unidos para assumir a embaixada em Brasília.

De acordo com interlocutores do presidente, Lula indicou que não pretende conceder o agrément antes do fim das eleições deste ano.

Guerra na Ucrânia pode entrar na pauta

Aliados também afirmam que a guerra na Ucrânia poderá ser discutida durante o telefonema.

Na quarta-feira, Lula voltou a defender o fim do conflito e criticou a atuação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmando que o órgão não tem conseguido promover uma solução para a guerra.

Embora o presidente não tenha detalhado todos os assuntos que pretende abordar, integrantes do governo acreditam que o cenário internacional deverá fazer parte da conversa.

Governo vê motivação política nas medidas dos EUA

No Palácio do Planalto, auxiliares avaliam que as recentes medidas adotadas pelo governo norte-americano possuem motivação política.

Segundo interlocutores de Lula, o governo entende que tanto o tarifaço quanto a revogação do visto da embaixadora podem influenciar o ambiente eleitoral brasileiro e favorecer o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário do presidente nas eleições de 2026.

Diante desse cenário, a estratégia do governo é reforçar o discurso de defesa da soberania nacional e associar as medidas norte-americanas à tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro.

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