BRASÍLIA – O início da vigência do tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros expôs divergências entre o governo federal e representantes dos setores produtivos sobre a resposta que o Brasil deve adotar.
Enquanto o governo mantém a Lei da Reciprocidade Econômica como um instrumento disponível, empresários defendem que a prioridade seja ampliar as negociações com os Estados Unidos e fortalecer medidas de apoio às empresas afetadas.
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Nesta terça-feira (21), o governo iniciou uma série de reuniões com representantes dos segmentos mais atingidos pelo tarifaço para discutir alternativas de mitigação dos impactos.
Governo mantém cautela
A sobretaxa de 25% entrou em vigor nesta quarta-feira (22) e foi aplicada após investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Apesar da medida, produtos como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose ficaram de fora da cobrança.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende a possibilidade de recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica desde o anúncio das tarifas. No entanto, integrantes do governo têm adotado um discurso cauteloso sobre sua eventual aplicação.
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo continua apostando na negociação e que uma eventual resposta brasileira não deve ser interpretada como retaliação. Já o ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, disse que, neste momento, não há necessidade de aplicar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos.
Setores rejeitam reciprocidade
Nas reuniões com o governo, representantes dos setores de máquinas e equipamentos, calçados, eletroeletrônicos, pneus, plásticos e têxteis defenderam a ampliação das linhas de crédito e o reforço dos programas de apoio às empresas.
As entidades também manifestaram resistência à aplicação imediata da Lei da Reciprocidade. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a Abicalçados e a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) defenderam que o Brasil mantenha o diálogo diplomático e empresarial com os Estados Unidos.
Segundo as entidades, uma escalada na disputa comercial pode aumentar os custos da indústria brasileira e afetar cadeias produtivas que dependem de insumos e equipamentos importados.
Próximos passos
O foco das reivindicações do setor produtivo é o fortalecimento do programa Brasil Soberano, criado para apoiar empresas afetadas pelo tarifaço.
Segundo estimativas do governo, cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos serão atingidas pela nova tarifa. Entre os segmentos mais expostos estão madeira, máquinas e equipamentos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e parte da indústria de transformação.
Nos próximos dias, o governo deverá concluir as reuniões com os demais setores produtivos para definir o pacote de apoio às empresas e a estratégia que será adotada diante das novas tarifas norte-americanas.
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