BRASÍLIA – Romeu Zema (Novo) provocou irritação na cúpula do PL ao afirmar, no último sábado (18), que Michelle Bolsonaro poderia integrar uma eventual chapa presidencial como candidata a vice. A declaração ampliou o mal-estar entre o ex-governador de Minas Gerais e o bolsonarismo, que atribuiu ao mineiro a tentativa de explorar uma crise interna do partido.
A fala foi feita no sábado, durante um evento do Novo, em São Paulo. Questionado sobre a possibilidade de ter a ex-primeira-dama como companheira de chapa, Romeu Zema afirmou que ela era uma das opções consideradas.
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Horas depois, Michelle Bolsonaro descartou a hipótese nas redes sociais e afirmou que sequer decidiu se disputará uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal.
Michelle rejeita possibilidade
Ao rebater a declaração, Michelle lembrou que é filiada ao PL e afirmou que o partido já lançou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência.
A ex-primeira-dama disse que não há possibilidade de integrar uma chapa presidencial em outra coligação para disputar os mesmos cargos majoritários.
Reação da direção do PL
Nos bastidores, integrantes da direção nacional do PL afirmam que a fala de Romeu Zema foi recebida com forte irritação por ocorrer justamente no momento em que a legenda tenta reduzir os efeitos da crise entre Flávio Bolsonaro e Michelle.
A avaliação de dirigentes é que o ex-governador aproveitou o desgaste interno do bolsonarismo para fortalecer sua própria pré-candidatura ao Palácio do Planalto.
Interlocutores de Flávio classificaram a iniciativa como "fogo amigo" e afirmam que Michelle jamais participou de qualquer conversa sobre integrar uma chapa presidencial fora do PL.
Episódio amplia desgaste
Reservadamente, dirigentes do partido afirmam que não foi a primeira vez que Romeu Zema buscou capitalizar politicamente uma crise envolvendo o bolsonarismo.
Segundo integrantes da legenda, o episódio repete o cenário de maio, quando o ex-governador endureceu as críticas a Flávio Bolsonaro após a divulgação das conversas do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Na ocasião, Zema classificou a conduta do senador como "imperdoável". A reação veio de Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, que acusaram o ex-governador de oportunismo, aprofundando o desgaste entre o PL e o grupo político do mineiro.
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