Levantamento

Crédito rural financiou R$ 92,4 bilhões em áreas com alertas ambientais

Levantamento do MapBiomas analisou operações realizadas entre 2019 e 2025 e identificou 831 mil financiamentos em imóveis com registros de desmatamento ou degradação da vegetação nativa.

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Estudo mostra que cinco instituições financeiras concentraram cerca de 60% do volume de crédito rural público concedido no período.
Estudo mostra que cinco instituições financeiras concentraram cerca de 60% do volume de crédito rural público concedido no período. (Foto: Marcelo Camargo)

BRASIL - Um levantamento divulgado pelo MapBiomas apontou que cerca de 15% do crédito rural público concedido no Brasil entre 2019 e 2025 foi destinado a imóveis rurais com alertas de desmatamento ou degradação da vegetação nativa. Segundo o estudo, foram identificadas 831 mil operações de financiamento, que somam R$ 92,4 bilhões.

Os dados fazem parte da nova edição do Monitor do Crédito Rural, que analisou operações contratadas no período e cruzou informações de financiamentos com registros de alertas ambientais. No total, o crédito rural público movimentou R$ 613,18 bilhões entre 2019 e 2025.

Cinco instituições concentram maior volume de recursos

O levantamento aponta que mais de 400 instituições financeiras operam linhas de crédito rural no país, mas cinco delas concentram aproximadamente 60% do volume financiado: Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia, Sicredi e Banrisul.

Entre as instituições analisadas, o Banco do Nordeste foi responsável pelo maior número de operações no período, concentrando 56% dos contratos realizados entre 2019 e 2025. Já o Banco do Brasil liderou em volume financeiro, com aproximadamente R$ 306 bilhões em financiamentos concedidos.

Monitoramento considera áreas com alertas ambientais

De acordo com o MapBiomas, o monitoramento considera imóveis rurais que apresentam sobreposição com alertas de desmatamento ou degradação da vegetação nativa registrados por sistemas de monitoramento ambiental. O estudo ressalta que a existência desses alertas não significa, necessariamente, que todas as operações tenham sido realizadas de forma irregular, já que parte das intervenções pode possuir autorização prevista na legislação ambiental.

O levantamento também identificou diferenças entre os estados. O Tocantins concentrou o maior volume financeiro entre as operações com sobreposição a alertas ambientais, enquanto o Piauí registrou o maior número de contratos nessa condição.

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