BRASÍLIA – O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após os Estados Unidos confirmarem uma sobretarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O parlamentar responsabilizou o governo federal pela medida, que entra em vigor em 22 de julho.
Flávio não comentou diretamente os efeitos comerciais da cobrança, mas compartilhou uma publicação do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que atribuiu as tarifas à postura de Lula nas negociações com os Estados Unidos.
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O novo tarifaço foi anunciado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) após uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A decisão inclui uma lista de produtos que ficarão isentos da cobrança.
Flávio Bolsonaro critica Lula
Ao comentar a publicação de Rubio, Flávio Bolsonaro afirmou que Lula não teria mais condições de governar o país e comparou o presidente brasileiro ao ex-presidente americano Joe Biden.
“Lula não tem mais condições de ser o presidente do Brasil. Estamos num avião sem piloto. O Biden brasileiro está ranzinza, inconsequente e se tornou um perigo para a nossa nação”, escreveu o senador.
Na sequência, Flávio afirmou que o atual governo representa “passado, atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência e vingança”. O parlamentar tem tentado vincular o tarifaço à condução diplomática e econômica do governo Lula.
Publicação de Rubio
Marco Rubio afirmou que as políticas adotadas pelo governo brasileiro seriam prejudiciais tanto para americanos quanto para brasileiros. Segundo ele, Lula não teria negociado de boa-fé com os Estados Unidos.
“No último ano, Lula colocou seu próprio ego acima da realização de um acordo em prol do bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso”, escreveu o secretário de Estado.
A declaração reforçou a avaliação de integrantes do governo brasileiro de que a decisão americana possui componente político. O USTR, porém, nega que as tarifas tenham sido motivadas por divergências com o governo Lula e sustenta que a medida decorre exclusivamente da investigação comercial.
Rubio mantém proximidade com a família Bolsonaro e recebeu Flávio e outros filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante uma visita aos Estados Unidos no mês passado.
Relação com Rubio
Durante o encontro, Flávio Bolsonaro afirmou ter discutido com Rubio a possibilidade de os Estados Unidos classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Dois dias depois, o Departamento de Estado americano anunciou a inclusão das facções na lista de organizações terroristas estrangeiras. Na ocasião, Rubio classificou os dois grupos como algumas das organizações criminosas mais violentas do Brasil.
A proximidade entre o secretário e a família Bolsonaro também tem sido citada por integrantes do governo Lula como um dos elementos políticos envolvidos nas recentes decisões americanas sobre o Brasil.
Reação do governo
Em nota, o governo brasileiro repudiou o tarifaço e classificou a decisão como um “marco lastimável” nas relações entre Brasil e Estados Unidos.
O Executivo afirmou que as tarifas não possuem justificativa e anunciou que recorrerá à Lei de Reciprocidade Econômica e ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O governo também rejeitou as alegações americanas relacionadas ao Pix, à regulação das plataformas digitais e ao desmatamento. Segundo a Presidência, foram apresentados ao USTR dados e argumentos para contestar todas as acusações feitas durante a investigação.
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