Operação Sem Desconto

INSS tem relatório da PF sobre primeiros indiciados em fraude

Relatório da Polícia Federal detalha acusações contra 48 investigados por descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS

Ipolítica, com informações do g1

Relatório da PF detalha as acusações contra os 48 primeiros indiciados na investigação sobre fraudes em descontos de aposentadorias.
Relatório da PF detalha as acusações contra os 48 primeiros indiciados na investigação sobre fraudes em descontos de aposentadorias. (Câmara dos Deputados)

BRASÍLIA – A Polícia Federal concluiu a primeira etapa da investigação da Operação Sem Desconto, que apura um esquema nacional de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Ao todo, 48 pessoas foram indiciadas.

Entre os investigados estão o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, o ex-diretor de Benefícios André Paulo Félix Fidelis e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". Todos estão presos preventivamente desde o ano passado.

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O relatório foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Agora, caberá à Procuradoria-Geral da República (PGR) decidir se apresenta denúncia, pede novas diligências ou solicita o arquivamento da investigação.

INSS e os indiciados

Segundo a PF, Stefanutto recebeu propinas mensais de até R$ 250 mil para blindar acordos firmados pela Conafer e deixar de fiscalizar irregularidades.

O ex-ministro do Trabalho e Previdência José Carlos Oliveira, que atualmente usa o nome Mohamad Oliveira Andrade, foi indiciado sob a acusação de facilitar a liberação de R$ 15,3 milhões à Conafer sem fiscalização. A PF afirma que ele recebeu pelo menos R$ 550 mil em propinas.

Já o deputado federal licenciado Euclydes Marcos Pettersen Neto é apontado como o principal articulador político do grupo no Congresso e no INSS. Segundo a investigação, ele teria recebido ao menos R$ 14,7 milhões em vantagens indevidas.

Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", foi descrito como operador financeiro do esquema.

O que diz a PF

De acordo com a investigação, Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer, comandava a organização criminosa e teria controlado desvios que renderam pelo menos R$ 708 milhões por meio de descontos associativos indevidos.

A PF afirma que Cícero Marcelino de Souza Santos atuava como operador financeiro da organização, estruturando empresas de fachada para lavar mais de R$ 312 milhões desviados.

Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS, é acusado de garantir proteção jurídica ao esquema em troca de pelo menos R$ 6,5 milhões em propinas e de um veículo de luxo.

Já André Paulo Félix Fidelis, ex-diretor de Benefícios, teria recebido ao menos R$ 3,4 milhões para facilitar a atuação da organização e ocultado patrimônio em nome de familiares.

O relatório também sugere a abertura de investigação sobre possível prática de advocacia administrativa envolvendo o deputado federal Fausto Pinato (União-SP), relacionada ao desbloqueio de contas da Conafer.

Defesas

A defesa de Alessandro Stefanutto informou que, após a conclusão do inquérito, pedirá ao STF a revogação da prisão preventiva do ex-presidente do INSS.

Já os advogados de Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho afirmaram que o indiciamento representa apenas um ato opinativo da autoridade policial e não configura reconhecimento de culpa.

As demais defesas não haviam se manifestado até a publicação da reportagem.

Como funcionava o esquema

Segundo a Polícia Federal, a fraude consistia em descontar mensalmente valores de aposentados e pensionistas como se eles tivessem autorizado filiação a associações, sem que houvesse consentimento.

A investigação começou em 2023, pela Controladoria-Geral da União (CGU), e passou à Polícia Federal no ano seguinte após a identificação de indícios de crimes. De acordo com os investigadores, os descontos indevidos podem chegar a R$ 6,3 bilhões.

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