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Transparência Brasil diz que Câmara ocultou autores de R$ 1,3 bi em emendas

Estudo aponta que Câmara registrou emendas em nome de líderes partidários, sem identificar os deputados que indicaram os recursos

Ipolítica, com informações do g1

Atualizada em 13/07/2026 às 14h13
Estudo da Transparência Brasil aponta que Câmara registrou R$ 1,3 bilhão em emendas sem identificar os parlamentares autores.
Estudo da Transparência Brasil aponta que Câmara registrou R$ 1,3 bilhão em emendas sem identificar os parlamentares autores. (Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

BRASÍLIA – A Câmara dos Deputados registrou R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão em nome de líderes partidários, sem identificar os parlamentares que efetivamente indicaram os beneficiários dos recursos. A conclusão é de um estudo divulgado pela organização Transparência Brasil.

Segundo o levantamento, o montante representa 16% das indicações feitas pelas comissões da Casa em 2025 e reproduz a lógica do extinto orçamento secreto.

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Apesar disso, o mecanismo está previsto na Lei Complementar 210, aprovada pelo Congresso em 2025 após acordo entre os Três Poderes para regulamentar a execução das emendas parlamentares.

Câmara e emendas

De acordo com a Transparência Brasil, foram identificadas 1.341 indicações registradas apenas em nome das lideranças de sete partidos (PP, União Brasil, PL, Republicanos, Avante, Podemos e Solidariedade).

Ao todo, essas indicações somam R$ 1,3 bilhão dos R$ 7,9 bilhões destinados pela Câmara por meio de emendas de comissão.

Segundo a entidade, os documentos públicos registram apenas a liderança partidária como autora das indicações, sem informar quais deputados definiram o destino final dos recursos.

Distribuição dos recursos

A federação formada por PP e União Brasil concentrou o maior volume de recursos, com R$ 716,7 milhões. Em seguida aparecem PL, com R$ 254,3 milhões, e Republicanos, com R$ 218,5 milhões.

O estudo também aponta que os líderes partidários registrados como autores das emendas não seriam, necessariamente, os responsáveis pela escolha dos beneficiários.

Como exemplo, a Transparência Brasil cita o líder do PP, Dr. Luizinho (PP-RJ). Embora represente o Rio de Janeiro, mais da metade dos R$ 427,7 milhões atribuídos à liderança do partido foi destinada ao Piauí.

Situação semelhante foi identificada no União Brasil. Segundo o relatório, 47% das emendas atribuídas ao então líder Pedro Lucas (União-MA) foram destinadas ao Maranhão, enquanto o restante foi distribuído entre outros 14 estados.

Para a organização, esse padrão indica que diferentes parlamentares podem ter definido os beneficiários, embora seus nomes não apareçam nos documentos oficiais.

Falta de rastreabilidade

Além da ausência de identificação dos autores, o estudo aponta problemas para acompanhar a execução das emendas.

Segundo a Transparência Brasil, R$ 821 milhões em emendas de comissão empenhadas em 2025 não tiveram os beneficiários finais identificados por meio do cruzamento das bases públicas do Congresso e do governo federal, devido à ausência de um identificador único.

O levantamento também afirma que o mecanismo continuou sendo utilizado em 2026. Até 29 de maio, a entidade identificou R$ 373,8 milhões em emendas registradas apenas em nome de líderes partidários.

Neste ano, o PT passou a utilizar o modelo, com R$ 107,5 milhões em indicações registradas em nome da liderança da bancada. O Republicanos lidera o volume parcial de recursos, com R$ 126,5 milhões.

Segundo a Transparência Brasil, não foram identificados registros semelhantes nas emendas de comissão do Senado, nem em 2025 nem nos dados parciais de 2026.

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