BRASÍLIA – A Polícia Federal (PF) aponta que cerca de R$ 97 milhões em emendas ligadas a Valdemar Costa Neto foram destinados, às vésperas das eleições municipais de 2024, a cidades consideradas estratégicas para o PL. Segundo a investigação, os recursos ajudaram a fortalecer candidaturas do partido ou de aliados em diversos municípios.
Dos R$ 119 milhões atribuídos a Valdemar, aproximadamente 80% foram empenhados na semana anterior ao prazo final permitido para transferências federais antes das eleições.
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O presidente do PL nega ter cometido irregularidades e afirma que os recursos das comissões são utilizados para apoiar prefeitos da legenda.
Emendas de Valdemar Costa Neto
A investigação mostra que, das 21 emendas citadas na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), seis repasses destinados a Suzano (SP), Porto Seguro (BA), Caraguatatuba (SP), Bebedouro (SP), Ubatuba (SP) e Rio de Janeiro (RJ) somaram R$ 96,7 milhões.
Com exceção de R$ 6 milhões destinados ao Rio de Janeiro em 1º de julho de 2024, todas as demais emendas foram empenhadas em 26 de junho, poucos dias antes do período de restrição eleitoral.
Segundo a PF, como os recursos eram destinados à Saúde por meio de transferências fundo a fundo, os valores chegavam diretamente aos fundos municipais e podiam ser utilizados imediatamente pelas prefeituras.
Cidades beneficiadas
Suzano recebeu o maior repasse individual, de R$ 26,8 milhões. À época, o município era administrado pelo prefeito Rodrigo Ashiuchi (PL), que apoiava a candidatura de Pedro Ishi (PL), eleito posteriormente.
Porto Seguro recebeu R$ 24,9 milhões. No município baiano, o prefeito Jânio Natal (PL) venceu a disputa pela reeleição meses depois.
Já Caraguatatuba recebeu R$ 23 milhões, mas o candidato apoiado pelo PL acabou derrotado nas urnas. Em Bebedouro, o candidato do MDB apoiado pela legenda foi reeleito.
Após as eleições, os valores diminuíram. Em dezembro de 2024, foram destinados R$ 9,5 milhões para Santa Fé do Sul (SP) e R$ 4,7 milhões para Morro do Chapéu (BA). Ao longo de 2025, os repasses passaram a variar entre R$ 220 mil e R$ 3 milhões por município.
Investigação da PF
Segundo a Polícia Federal, Valdemar indicava as emendas mesmo sem exercer mandato parlamentar. Conforme a investigação, os recursos eram registrados em nome de deputados como "solicitantes", mecanismo que, segundo os investigadores, buscava conferir aparência de legalidade às indicações.
Com base na apuração, o ministro Flávio Dino determinou o bloqueio de R$ 119,2 milhões em bens de Valdemar Costa Neto e suspendeu a execução das despesas relacionadas às emendas investigadas.
A investigação também aponta que documentos publicados pela Prefeitura de Caraguatatuba atribuíram diretamente ao presidente do PL a autoria de duas emendas destinadas ao município, identificadas como "Comissão da Saúde — Waldemar Costa Neto", reforçando os indícios analisados pela Polícia Federal.
Procurado, Valdemar negou irregularidades. Segundo ele, deputados cedem parte das emendas das comissões permanentes para atender prefeitos ligados ao partido.
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