BRASIL — A disputa presidencial marcada pela polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem dificultado os planos de outros pré-candidatos ao Palácio do Planalto. Nas últimas semanas, nomes que avaliavam participar da corrida eleitoral desistiram ou passaram a enfrentar dificuldades para manter suas candidaturas.
Entre os casos recentes estão o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), que anunciou a desistência de disputar a Presidência, e o Democracia Cristã (DC), que avalia retirar a pré-candidatura do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa.
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O cenário eleitoral tem sido apontado como um dos principais fatores para a redução de espaço de candidatos que tentam se apresentar como alternativas à polarização entre os dois principais nomes da disputa.
Aécio Neves desiste de candidatura pelo PSDB
Aécio Neves confirmou nesta semana que não pretende disputar novamente a Presidência da República pelo PSDB. O deputado afirmou que o partido caminha para não lançar uma candidatura própria nas eleições deste ano.
Em 2014, Aécio disputou o segundo turno presidencial contra a então presidente Dilma Rousseff (PT) em uma das eleições mais acirradas da história recente do país. Na ocasião, o tucano recebeu 48,36% dos votos válidos, enquanto Dilma teve 51,64%.
Desta vez, o parlamentar aparece com 2% das intenções de voto em pesquisa Genial/Quaest.
Após desistir da disputa, Aécio afirmou que pretende concentrar esforços na reestruturação do PSDB e que o partido deve discutir uma posição de apoio a uma candidatura de centro.
Antes de avaliar uma candidatura própria, o PSDB havia buscado o nome do ex-ministro Ciro Gomes, que decidiu disputar o governo do Ceará.
Democracia Cristã avalia desistência de Joaquim Barbosa
Outro nome que enfrenta dificuldades para permanecer na corrida presidencial é Joaquim Barbosa. O ex-ministro do STF foi anunciado pelo Democracia Cristã como pré-candidato após o partido retirar o apoio ao ex-ministro Aldo Rebelo.
Aldo havia sido lançado pela legenda em janeiro, mas não apresentou desempenho significativo nas pesquisas de intenção de voto. Em seguida, o partido passou a apostar no nome de Barbosa.
Na primeira pesquisa em que apareceu, o ex-ministro registrou 1% das intenções de voto em um cenário de primeiro turno.
O presidente nacional do Democracia Cristã, João Caldas, afirmou que a manutenção da candidatura ainda está em avaliação e reconheceu as dificuldades diante do cenário eleitoral.
A definição precisa ocorrer até 5 de agosto, prazo para realização das convenções partidárias.
Polarização concentra disputa pelo Planalto
A última pesquisa Genial/Quaest citada no levantamento mostrou Lula na liderança da corrida presidencial, com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 29%. Outros nomes avaliados não ultrapassaram 3%, considerando a margem de erro.
Entre os candidatos apontados como alternativas ao cenário polarizado estão os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que aparecem com 3% e 2%, respectivamente.
O presidente nacional do Democracia Cristã afirmou que a disputa atual torna mais difícil a entrada de novos nomes na eleição.
Candidatos buscam espaço fora da polarização
Apesar do cenário concentrado entre Lula e Flávio Bolsonaro, pré-candidatos de centro e de outros campos políticos tentam construir uma alternativa eleitoral.
Ronaldo Caiado afirmou que a polarização ocorre pelo chamado “voto de exclusão”, em que parte dos eleitores escolhe um candidato principalmente por rejeição ao adversário.
Segundo ele, o debate eleitoral deveria considerar propostas e trajetórias dos candidatos, além da disputa entre os dois principais nomes apresentados até o momento.
Com a aproximação do calendário eleitoral, partidos ainda avaliam alianças e estratégias para definir quais candidaturas serão mantidas ou retiradas antes das convenções partidárias
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