EMENDAS PARLAMENTARES

Valdemar Costa Neto nega esquema de desvio de emendas e diz que atuação no PL é legítima

Presidente nacional do PL afirma que não há provas de irregularidades e critica decisão de Flávio Dino que bloqueou até R$ 119 milhões em bens.

Ipolítica, com informações de O Globo

Valdemar Costa Neto negou participação em esquema de desvio de emendas e informou que recorrerá da decisão que bloqueou até R$ 119 milhões em bens.
Valdemar Costa Neto negou participação em esquema de desvio de emendas e informou que recorrerá da decisão que bloqueou até R$ 119 milhões em bens. (Cristiano Mariz/O Globo)

BRASIL – O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, negou, nesta sexta-feira (10), ter participado de um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares. Em nota divulgada por sua defesa, o dirigente afirmou que não há provas ou indícios de envolvimento consciente em irregularidades e classificou como "natural e legítima" a atuação de um presidente de partido na articulação política com parlamentares.

A manifestação foi divulgada após a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens de Valdemar no âmbito de uma investigação sobre a destinação de emendas parlamentares.

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Defesa contesta decisão do STF

Em nota assinada pelos advogados Marcelo Bessa e Thiago Fleury, a defesa sustenta que a decisão do ministro foi baseada em "premissas frágeis" e "inferências subjetivas", além de representar uma criminalização da atividade político-partidária.

Segundo os advogados, é legítimo que um presidente de partido dialogue com parlamentares, defenda prioridades da legenda e influencie politicamente sua bancada, sem que isso, por si só, configure prática criminosa.

A defesa também afirma que não há demonstração de dolo, fraude, desvio de finalidade ou participação consciente de Valdemar em qualquer irregularidade. Além disso, destaca que a própria decisão reconhece não haver indicação de vantagem pessoal obtida pelo dirigente.

Advogados anunciam recurso

Os advogados de Valdemar Costa Neto também criticaram o bloqueio patrimonial determinado pelo STF. Segundo a defesa, o fato de a investigação ainda estar em andamento não justificaria uma medida cautelar dessa amplitude nem permitiria qualquer presunção de culpa.

A nota ainda menciona que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra a adoção das medidas cautelares e informa que será apresentado recurso para reverter a decisão e demonstrar a inocência do presidente do PL.

Flávio Dino aponta indícios de atuação em esquema

Na decisão, o ministro Flávio Dino afirmou que há "múltiplos indícios" de que Valdemar Costa Neto participou da indicação e do redirecionamento de emendas parlamentares mesmo sem exercer mandato eletivo.

De acordo com o ministro, a conclusão é baseada em mensagens extraídas de celulares apreendidos, planilhas e outros elementos reunidos pela Polícia Federal durante as investigações.

Segundo Dino, os indícios apontam que Valdemar teria exercido influência sobre a distribuição de recursos públicos por meio de um suposto arranjo para direcionar emendas de comissão, utilizando servidores da Câmara dos Deputados para operacionalizar as indicações e atribuindo formalmente os recursos a parlamentares.

Bloqueio de bens

Com base nos elementos reunidos pela investigação, Flávio Dino determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens de Valdemar Costa Neto.

Segundo a decisão, o valor corresponde ao montante de 21 emendas parlamentares cuja indicação, de acordo com a investigação, teria passado pelo presidente nacional do PL e que tiveram a execução suspensa durante as apurações.

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