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Aliados aconselham Flávio a adiar escolha de candidato ao Senado

Estratégia busca reduzir o tempo de exposição do futuro indicado antes do registro das candidaturas, mas aumenta a insatisfação no PL.

Ipolítica, com informações de O Globo

Aliados aconselham Flávio a adiar escolha de candidato ao Senado no Rio após operações da PF atingirem nomes cotados para a chapa.
Aliados aconselham Flávio a adiar escolha de candidato ao Senado no Rio após operações da PF atingirem nomes cotados para a chapa. (Reprodução/Youtube/Flávio Bolsonaro)

BRASIL – Aliados do senador e pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, passaram a defender que a escolha do candidato do partido ao Senado pelo Rio de Janeiro seja adiada o máximo possível. A recomendação surgiu após uma sequência de operações da Polícia Federal atingir nomes cotados para compor a chapa no estado e tem como objetivo reduzir o tempo de exposição do futuro indicado antes do registro oficial das candidaturas.

Segundo interlocutores ouvidos pelo jornal O Globo, a avaliação é que antecipar o anúncio pode criar um risco político desnecessário. Em menos de dois meses, três nomes ligados à montagem da chapa foram afetados por investigações da Polícia Federal.

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Operações atingiram nomes cotados para a chapa

O primeiro caso envolveu o ex-governador Cláudio Castro (PL), inicialmente escolhido por Flávio Bolsonaro para disputar uma das vagas ao Senado. Castro desistiu da candidatura após ser declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, posteriormente, tornou-se alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de fraude no setor de combustíveis e de outra apuração sobre aportes do RioPrevidência no Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Na última semana, o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil), indicado pela federação União Brasil-PP para ocupar a outra vaga na chapa, foi preso em flagrante durante a Operação Unha e Carne, após agentes encontrarem um fuzil calibre 5,56 em seu veículo durante o cumprimento de mandados.

O terceiro caso envolve o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que figurava entre os favoritos para substituir Cláudio Castro. Segundo O Globo, ele perdeu força após o avanço da investigação sobre um suposto esquema de desvio de cotas parlamentares. Embora não tenha sido alvo da fase mais recente da operação, investigadores passaram a apurar a origem de R$ 468 mil apreendidos em dinheiro vivo em um imóvel ligado ao deputado, além da suspeita de tentativa de dar aparência de legalidade aos recursos.

Carlos Jordy e Carlos Portinho disputam indicação

Nos bastidores, integrantes do PL afirmam que anunciar o nome agora significaria submeter o futuro candidato a semanas de desgaste antes mesmo do início oficial da campanha.

A cautela também alcança o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), um dos principais cotados para disputar a vaga. Embora não tenha sido alvo dos desdobramentos mais recentes da investigação sobre cotas parlamentares, Jordy foi alvo de uma operação da Polícia Federal em dezembro do ano passado.

Hoje, ele disputa a indicação com o senador Carlos Portinho (PL-RJ), que, segundo interlocutores da campanha, aparece como favorito.

Adiamento gera insatisfação no partido

A estratégia de adiar a definição, porém, está longe de ser consenso dentro do PL.

Dirigentes estaduais, parlamentares e pré-candidatos avaliam que a demora aumenta a insatisfação interna justamente quando o calendário eleitoral entra na reta decisiva.

Flávio Bolsonaro pretendia anunciar o substituto de Cláudio Castro na última sexta-feira, mas voltou a adiar a decisão. Agora, interlocutores defendem que a escolha ocorra apenas durante a convenção nacional do partido, marcada para 25 de julho, ou até mesmo posteriormente.

Calendário eleitoral permite definição mais adiante

Pela legislação eleitoral:

  • As convenções partidárias podem ser realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto;
  • O prazo para registro das candidaturas termina em 15 de agosto.

Na avaliação dos aliados de Flávio Bolsonaro, esse intervalo permite manter as negociações abertas sem comprometer os prazos legais.

Reservadamente, porém, dirigentes do partido admitem que chegar à convenção sem um nome definido para uma das vagas ao Senado transmite uma imagem de indefinição justamente em um dos estados considerados estratégicos para a campanha presidencial.

Segundo interlocutores da campanha, parte da demora decorre da necessidade de acomodar interesses de partidos aliados. Eles também afirmam que o ex-presidente Jair Bolsonaro continua sendo consultado antes das decisões finais e que diversas definições foram colocadas em compasso de espera diante da expectativa pela lista de candidatos ao Senado e aos governos estaduais apoiados por ele.

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