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Governo aposta em pragmatismo após avanço da direita na América Latina

Governo pretende priorizar infraestrutura, energia e segurança nas relações com países latino-americanos governados pela direita

Ipolítica, com informações da Agência Brasil

Governo aposta em relações pragmáticas com países da América Latina após vitórias de candidatos da direita na região.
Governo aposta em relações pragmáticas com países da América Latina após vitórias de candidatos da direita na região. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

BRASÍLIA – O governo brasileiro pretende manter uma agenda pragmática com os países da América Latina que passaram a ser governados por líderes de direita e extrema-direita. A estratégia é priorizar temas considerados de interesse comum, como infraestrutura, energia, combate ao crime organizado e cooperação em desastres naturais, independentemente das diferenças ideológicas, mantendo o Mercosul como principal fórum regional de integração.

A avaliação do Palácio do Planalto é de que a mudança no cenário político da região não deve comprometer as relações bilaterais com Peru, Colômbia, Chile, Equador e Bolívia, apesar das recentes vitórias eleitorais de candidatos alinhados à direita.

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A principal exceção, segundo integrantes do governo, continua sendo a Argentina, cujo presidente, Javier Milei, mantém uma postura considerada mais hostil em relação ao Brasil.

Governo aposta em agendas comuns

Na avaliação do Executivo, projetos de infraestrutura e integração regional devem continuar avançando mesmo com a mudança de orientação política em países vizinhos.

Entre os temas considerados prioritários estão iniciativas para conectar os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de corredores logísticos e ampliar a cooperação na área de energia.

Segundo o governo, a guerra no Irã reforçou a necessidade de aprofundar parcerias voltadas à segurança energética na região.

Também são vistos como sinais positivos o interesse do presidente do Chile, José Antonio Kast, em realizar uma reunião bilateral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cúpula do Mercosul e a interlocução mantida pelo Brasil com os novos governos da Colômbia e da Bolívia.

Cooperação enfrenta desafios

Especialistas avaliam, porém, que a nova configuração política pode dificultar a cooperação em temas estratégicos.

O professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Goulart Menezes, afirma que a ascensão de governos de extrema-direita tende a afetar principalmente a agenda ambiental.

Segundo ele, a parceria construída entre Brasil e Colômbia durante o governo de Gustavo Petro, especialmente em torno da proteção da Amazônia, pode perder força com a mudança de governo no país vizinho.

O especialista também aponta possíveis impactos na articulação regional em torno da defesa da democracia e nas relações comerciais com a China, diante da aproximação de diversos governos sul-americanos com os Estados Unidos.

Mercosul deve manter protagonismo

Embora reconheça dificuldades para fortalecer fóruns multilaterais, o governo acredita que o Mercosul continuará exercendo papel central na integração regional.

Na avaliação do Planalto, blocos como a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) tendem a enfrentar maiores obstáculos diante do novo cenário político da região.

Já o Mercosul deve preservar sua relevância por ser um bloco mais institucionalizado e voltado principalmente para a integração econômica e comercial, agenda que interessa a governos de diferentes orientações políticas.

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