JUDICIÁRIO

CNJ adia decisão sobre fim da aposentadoria compulsória

Julgamento foi suspenso e será retomado em agosto; proposta prevê substituir aposentadoria compulsória pela perda do cargo e do salário.

Ipolítica, com informações do g1

CNJ adia para agosto julgamento sobre o fim da aposentadoria compulsória para juízes punidos por faltas graves.
CNJ adia para agosto julgamento sobre o fim da aposentadoria compulsória para juízes punidos por faltas graves. (Gustavo Moreno/CNJ)

BRASIL – O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) adiou nesta terça-feira (23) o julgamento que discute o fim da aposentadoria compulsória para juízes punidos por faltas graves. A análise da proposta foi suspensa por unanimidade e deverá ser retomada na próxima sessão do órgão, marcada para o dia 4 de agosto.

A medida busca adequar as regras disciplinares do Judiciário ao entendimento recente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o qual a perda do cargo e do salário deve ser a punição máxima aplicada a magistrados envolvidos em infrações graves.

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O relator do processo, conselheiro Ulisses Rabaneda, apresentou voto favorável à mudança, defendendo que o fim da aposentadoria compulsória para juízes representa uma resposta às críticas da sociedade sobre supostos casos de impunidade no Judiciário.

Após a apresentação do voto, o presidente do CNJ e do STF, ministro Edson Fachin, acolheu pedido para suspender a discussão e transferi-la para a próxima sessão.

O conselho, por unanimidade, suspendeu o julgamento para retomá-lo na sessão subsequente”, afirmou Fachin.

Mudança segue entendimento do STF

O debate sobre o fim da aposentadoria compulsória para juízes ganhou força após decisões recentes do Supremo.

Em março deste ano, o ministro Flávio Dino proferiu decisão que, na prática, afastou a possibilidade de magistrados condenados por infrações disciplinares graves serem punidos apenas com aposentadoria proporcional.

A interpretação passou a valer para casos como:

  • Venda de sentenças;
  • Assédio moral;
  • Assédio sexual;
  • Concessão de benefícios indevidos a integrantes de organizações criminosas.

Com isso, o CNJ ficou responsável por regulamentar a aplicação do novo entendimento em todo o Judiciário brasileiro.

Discussão será retomada em agosto

Segundo informações divulgadas durante a sessão, o adiamento tem como objetivo ampliar o diálogo entre os conselheiros e construir um texto com maior consenso antes da votação definitiva.

Interlocutores do tribunal afirmam que não há resistência significativa à proposta, mas que o período até agosto será utilizado para ajustes na redação final da norma.

Caso seja aprovada, a regulamentação consolidará o fim da aposentadoria compulsória para juízes como sanção disciplinar em casos graves, substituindo a medida pela perda definitiva do cargo e dos vencimentos.

Histórico de punições

Dados apresentados durante a discussão indicam que, nos últimos 20 anos, 126 magistrados foram aposentados compulsoriamente em processos disciplinares.

A proposta em análise no CNJ busca encerrar esse modelo de punição, considerado insuficiente por parte da sociedade e por integrantes do próprio sistema de Justiça.

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