CONGRESSO NACIONAL

Sucessão do Congresso coloca Motta e Alcolumbre em lados opostos sobre pautas do governo

Disputa pela reeleição no comando da Câmara e do Senado influencia votação de propostas e amplia divergências com o Planalto.

Ipolítica, com informações de O Globo

Sucessão do Congresso amplia divergências entre Hugo Motta e Davi Alcolumbre e impacta tramitação de pautas do governo.
Sucessão do Congresso amplia divergências entre Hugo Motta e Davi Alcolumbre e impacta tramitação de pautas do governo. (Saulo Cruz/Agência Senado)

BRASIL – A disputa pela sucessão do Congresso já influencia diretamente a tramitação de projetos considerados prioritários pelo governo federal. Em meio às articulações para a reeleição dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), propostas de interesse do Palácio do Planalto enfrentam ritmos distintos nas duas Casas legislativas.

Enquanto Hugo Motta tem mantido uma relação mais próxima com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Davi Alcolumbre adota uma postura mais cautelosa em relação a pautas defendidas pelo Executivo. O cenário tem provocado um descompasso entre Câmara e Senado e dificultado o avanço de matérias consideradas estratégicas para o governo.

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Sucessão do Congresso afeta tramitação de propostas

Entre os principais exemplos está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, apontada pelo governo como uma das principais apostas para melhorar a percepção da população sobre a gestão federal na área da segurança.

A matéria foi aprovada pela Câmara dos Deputados em março, mas ainda aguarda encaminhamento para análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

Outra proposta parada na Casa é a PEC que reduz a jornada de trabalho sem redução salarial. Apesar de afirmar a interlocutores que pretende pautar o tema antes das eleições, Alcolumbre ainda não definiu os próximos passos da tramitação.

Nos bastidores, parlamentares avaliam que a relação desgastada entre o presidente do Senado e o Palácio do Planalto tem contribuído para o atraso das votações.

Disputa eleitoral amplia divergências

Além das negociações legislativas, a sucessão do Congresso também está diretamente ligada às articulações eleitorais para 2026.

Segundo parlamentares ouvidos pelo g1, Hugo Motta e Davi Alcolumbre têm adotado estratégias políticas distintas para fortalecer suas candidaturas à recondução aos comandos das respectivas Casas.

Aliados avaliam que:

  • Hugo Motta busca ampliar a aproximação com o governo Lula;
  • Davi Alcolumbre mantém interlocução mais próxima de setores da oposição;
  • A definição de pautas prioritárias tem levado em consideração interesses políticos e eleitorais;
  • A disputa pela presidência das Casas influencia a velocidade de tramitação de projetos.

Nos corredores do Congresso, parlamentares afirmam que a disputa interna já interfere diretamente no ambiente político e nas negociações entre Executivo e Legislativo.

Projetos avançam em uma Casa e travam em outra

O cenário tem produzido um efeito de compensação entre Câmara e Senado. Propostas aprovadas pelos deputados enfrentam dificuldades para avançar entre os senadores, enquanto projetos aprovados pelo Senado encontram resistência para serem pautados na Câmara.

Um dos exemplos é o projeto que prevê renegociação de dívidas do setor agropecuário com apoio financeiro do governo. A proposta foi aprovada pelos senadores, mas enfrenta resistência de Hugo Motta.

Segundo integrantes da equipe econômica, o texto pode gerar impacto bilionário nas contas públicas ao longo dos próximos anos.

Outro caso é o projeto que equipara a misoginia ao crime de racismo. A proposta já passou pelo Senado, mas voltou a ser discutida na Câmara após alterações realizadas pelos deputados.

Recesso e eleições reduzem ritmo dos trabalhos

Parlamentares também apontam fatores externos para explicar a lentidão na tramitação das matérias. A Copa do Mundo, as festas juninas e a aproximação do período eleitoral têm reduzido a presença de deputados e senadores em Brasília.

A expectativa é de que, nos próximos meses, o Congresso Nacional funcione com maior frequência em regime remoto para permitir que os parlamentares participem das campanhas em seus estados.

Mesmo diante das divergências, aliados dos dois presidentes afirmam que Hugo Motta e Davi Alcolumbre mantêm diálogo frequente e continuam negociando soluções para destravar pautas importantes antes do recesso parlamentar.

No entanto, a sucessão do Congresso segue como um dos principais fatores que influenciam o andamento das votações e o relacionamento entre governo, Câmara e Senado neste período pré-eleitoral.

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