BRASÍLIA – A Polícia Federal (PF) apontou indícios de que o senador Jaques Wagner (PT-BA) teria recebido vantagens econômicas do banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. As informações constam na investigação que embasou a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de autorizar a 9ª fase da Operação Compliance Zero.
Em entrevista, Jaques Wagner negou qualquer irregularidade e afirmou estar “absolutamente tranquilo” em relação às apurações.
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“Até agora, não sou réu; não sou culpado; não sou nada. É uma investigação em cima do que eu imagino que a Polícia Federal encontrou em celulares ou em alguma delação de alguém que eu desconheço”, declarou.
Apartamento e relação com empresário
Segundo a PF, Jaques Wagner teria solicitado a Augusto Lima a compra de um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões no residencial Poème Horto, localizado no bairro Horto Florestal, em Salvador.
Os investigadores afirmam que o senador teria encaminhado ao empresário informações sobre o empreendimento e o corretor responsável pela venda. A partir disso, integrantes ligados ao Banco Master teriam participado da negociação.
O parlamentar confirmou que conversou com Augusto Lima sobre o imóvel, mas negou qualquer irregularidade.
“Como o Guga é um investidor, disse a ele: ‘Você pode comprar? Depois eu vou recomprar’. O apartamento está em construção e eu precisaria vender outro imóvel da minha filha para complementar o pagamento”, afirmou.
Segundo Wagner, o imóvel nunca integrou seu patrimônio.
Outras suspeitas
A investigação também aponta supostos repasses de mais de R$ 5,5 milhões para a BN Financeira, empresa administrada por familiares do senador.
Além disso, a PF cita o uso de aeronaves custeadas por Augusto Lima e pelo Banco Master, bem como ingressos para shows no exterior que teriam sido oferecidos a parentes do parlamentar.
Parte dessas informações foi obtida a partir da análise de celulares apreendidos durante as fases anteriores da Operação Compliance Zero.
Mensagens reproduzidas pela PF indicariam encontros entre Wagner e Lima, além da oferta de transporte aéreo e benefícios relacionados a eventos internacionais.
Emendas e interesses do Master
A PF também investiga a atuação de Wagner em temas regulatórios de interesse do grupo Master.
Entre os pontos citados está a apresentação de emendas parlamentares durante a tramitação de propostas relacionadas ao crédito consignado e ao sistema financeiro.
O senador rejeitou qualquer acusação de favorecimento ao banco e afirmou que atuou em defesa da posição do governo federal em temas considerados estratégicos.
“O governo foi contra o aumento da garantia do Fundo Garantidor de Crédito. Eu, como líder do governo, encaminhei contra essa emenda”, disse.
Dinheiro apreendido
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, agentes federais encontraram cerca de US$ 49 mil em espécie na residência de Wagner, em Brasília.
Segundo o senador, os valores são provenientes de diárias oficiais de viagens internacionais e recursos pessoais regularmente declarados à Receita Federal.
“Comprei, via Banco do Brasil, dólares ou euros para fazer a viagem. Não tenho nada a esconder sobre este dinheiro”, afirmou.
O que diz a defesa
Em nota, a assessoria de Jaques Wagner afirmou que o senador não é réu, não foi denunciado e não responde a qualquer processo relacionado aos fatos investigados.
A defesa também sustenta que o apartamento citado pela PF jamais integrou o patrimônio do parlamentar e que ele nunca atuou em favor do Banco Master ou de qualquer outra instituição financeira.
“O senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá”, diz a nota.
Já a defesa de Augusto Lima classificou as diligências da Polícia Federal como desnecessárias e afirmou que os fatos investigados são “rigorosamente lícitos”.
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