BRASIL – O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), admitiu a interlocutores ter realizado uma viagem em aeronave particular do empresário Daniel Vorcaro para Portugal, em 2024. O parlamentar também confirmou que o banqueiro custeou parte de sua hospedagem em um hotel de luxo em Lisboa, conforme apontado em investigação da Polícia Federal (PF).
A revelação veio após o Supremo Tribunal Federal (STF) retirar o sigilo de documentos relacionados à Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, instituição anteriormente controlada por Vorcaro.
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PF aponta pagamento de hospedagem
Segundo relatório da Polícia Federal, Daniel Vorcaro teria arcado com despesas de hospedagem de Hugo Motta e do senador Ciro Nogueira (PP-PI) durante uma viagem à capital portuguesa.
A versão apresentada por Motta diverge das informações reunidas pelos investigadores. De acordo com interlocutores do presidente da Câmara, o banqueiro teria pago apenas duas diárias de hotel. Já a PF sustenta que o pagamento envolveu pelo menos cinco dias de hospedagem, enquanto a fatura obtida pelos investigadores registra sete diárias.
Os documentos analisados apontam que as despesas chegaram a 3.155,71 euros, valor equivalente a aproximadamente R$ 18,2 mil na cotação da época.
Conversas foram encontradas pela investigação
O relatório da PF cita mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e um auxiliar, nas quais o empresário solicita a reserva de quartos para "Ciro e Hugo" em Lisboa.
Dias depois, o funcionário informa a disponibilidade de duas suítes no Four Seasons Hotel Ritz Lisbon, empreendimento de alto padrão localizado em uma das áreas mais valorizadas da capital portuguesa.
Segundo os investigadores, os nomes de Hugo Motta e Ciro Nogueira aparecem em listas encaminhadas pelo próprio Vorcaro durante a organização da viagem.
Operação investiga relação com agentes públicos
As informações fazem parte do material produzido pela Operação Compliance Zero, que investiga possíveis irregularidades financeiras ligadas ao Banco Master.
No relatório, a Polícia Federal afirma que Daniel Vorcaro mantinha uma relação próxima com agentes políticos e oferecia benefícios considerados relevantes, incluindo viagens internacionais, hospedagens e encontros em locais exclusivos.
O conteúdo passou a ser público após decisão do STF que autorizou a retirada do sigilo de parte dos documentos encaminhados pela corporação à Corte.
Até o momento, não há acusação formal contra Hugo Motta relacionada à viagem citada pela investigação.
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