DEBATE ECONÔMICO

Durigan critica PEC da autonomia do Banco Central e diz que proposta cria “novo Poder”

Ministro da Fazenda afirmou que texto amplia excessivamente a autonomia do Banco Central e pode reduzir mecanismos de controle e fiscalização.

Ipolítica, com informações a Agência Brasil

Durigan critica PEC da autonomia do Banco Central e afirma que proposta pode criar um “novo Poder” sem mecanismos adequados de controle.
Durigan critica PEC da autonomia do Banco Central e afirma que proposta pode criar um “novo Poder” sem mecanismos adequados de controle. (Foto: Marcelo Camargo)

BRASIL – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou nesta quarta-feira (17) a PEC da autonomia do Banco Central, aprovada recentemente pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Durante audiência pública na Câmara dos Deputados, o ministro afirmou que a proposta pode criar uma espécie de “novo Poder da República” ao ampliar significativamente a independência da autoridade monetária.

Segundo Durigan, é necessário fortalecer instituições como o Banco Central, mas sem abrir mão dos mecanismos de fiscalização e controle previstos na administração pública.

A gente não pode, a pretexto de fortalecer o Banco Central, criar uma série de distorções na contabilidade da instituição e no seu processo de auditoria”, declarou o ministro.

A PEC prevê autonomia administrativa, contábil, orçamentária, financeira, operacional e patrimonial ao Banco Central, desvinculando o órgão de ministérios e demais estruturas da administração pública federal.

Governo vê riscos na PEC da autonomia do Banco Central

Uma das principais mudanças previstas pela proposta é permitir que o Banco Central retenha recursos gerados pela chamada senhoriagem, receita obtida com a emissão de moeda. Atualmente, esses valores são transferidos ao Tesouro Nacional.

De acordo com dados apresentados durante o debate, a receita anual média da senhoriagem entre 2017 e 2025 foi de R$ 23,3 bilhões, enquanto o orçamento médio anual do Banco Central no mesmo período ficou em R$ 4,8 bilhões.

Para o Ministério da Fazenda, a PEC da autonomia do Banco Central pode provocar perda de arrecadação para o Tesouro e reduzir mecanismos de supervisão sobre a atuação da instituição.

Economistas também questionam proposta

A proposta também tem sido alvo de críticas de parte da comunidade acadêmica. Economistas divulgaram um manifesto alegando que o texto pode aumentar a influência do mercado financeiro sobre o Banco Central, ao mesmo tempo em que reduz instrumentos de controle exercidos pelo Estado.

O documento sustenta que a PEC fragiliza a fiscalização, o controle social e a responsabilização da autoridade monetária, além de criar um modelo considerado inédito ao reunir autonomia financeira e operacional ampliadas.

Banco Central defende mudanças

Por outro lado, a diretoria do Banco Central apoia a proposta. O presidente da instituição, Gabriel Galípolo, argumenta que a ampliação da autonomia é necessária para garantir recursos suficientes às atividades de fiscalização e regulação do sistema financeiro.

A PEC da autonomia do Banco Central ainda será analisada pelo plenário do Senado, etapa decisiva para o avanço da proposta no Congresso Nacional.

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