Rafael Cardoso
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Rafael Cardoso é jornalista do Grupo Mirante. É correspondente em Brasília (DF).
Investigação

Suspeito de manter adolescente maranhense sob trabalho escravo está foragido no DF

Adão Silva de Sousa levou a jovem de 15 anos do Maranhão para viver com ele e a esposa em um 'trisal', segundo as investigações.

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Enquanto as buscas continuam, o casal deverá ser indiciado por exploração sexual de menores. (Foto: divulgação / Polícia Civil)
Enquanto as buscas continuam, o casal deverá ser indiciado por exploração sexual de menores. (Foto: divulgação / Polícia Civil)

DISTRITO FEDERAL - A Polícia Civil está à procura Adão Silva de Sousa, que é o principal suspeito de tirar uma adolescente de 15 anos do Maranhão e levá-la para ficar em regime de trabalho análogo à escravidão e abusos sexuais no Distrito Federal.

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O caso foi revelado no dia 8 de junho, após uma operação conjunta entre a Polícia Militar do DF e o Conselho Tutelar. Adão e a esposa foram presos em flagrante na região de uma fazenda onde moram no Incra 7, em Brazlândia.

Durante a fiscalização, os agentes constataram que a adolescente era submetida a jornadas de trabalho na propriedade rural e que os valores devidos pelo seu esforço eram integralmente retidos e apropriados pelo casal, configurando trabalho forçado sem remuneração.

Relembre: Casal é preso por trabalho análogo à escravidão e exploração de adolescente maranhense no DF

O casal também já possuía histórico de acompanhamento pela prática de trabalho infantil, uma vez que os outros filhos do casal, de 11 e 13 anos, também trabalhavam e não estavam matriculados na escola.

“Era uma ocorrência envolvendo uma adolescente de 15 anos, um marido e uma mulher. Chegando ao local, a Polícia Militar fez contato com a esposa que admitiu que trouxe essa adolescente do Maranhão para que prestasse serviços na residência, na área rural e também tivesse relações sexuais com o marido. Essa mulher foi presa imediatamente”, declarou o major Edimar Oliveira, porta-voz da Polícia Militar do DF.

Em seguida, os policiais foram até o local de trabalho de Adão. Segundo a polícia, ele portava uma faca, desobedeceu às ordens e fugiu para uma área de mata. Ele só foi preso após uma força-tarefa da PM que contou com a ajuda de um helicóptero.

Após as prisões, a adolescente de 15 anos foi acolhida e encaminhada para os cuidados do Conselho Tutelar, onde posteriormente foi levada para um abrigo para receber atendimento psicológico e possa ser cuidada até retornar ao Maranhão.

Reviravolta

Após serem presos, a esposa de Adão alegou ainda que a menina teria sido levada ao Distrito Federal com o objetivo de gerar um "filho" para Adão, em um relacionamento a três.

Mas, embora os suspeitos tenham chegado a ser detidos pela Polícia Militar na semana do resgate, os dois foram liberados na ocasião porque a Polícia Civil disse que não tinha elementos para a prisão em flagrante.

Somente após a soltura do casal, a Polícia Civil reuniu provas e pediu a prisão preventiva de ambos. Porém, apenas a mulher foi localizada e presa. Adão segue foragido.

Adão está foragido e segue sendo procurado pela polícia. (Foto: divulgação / Polícia Civil)
Adão está foragido e segue sendo procurado pela polícia. (Foto: divulgação / Polícia Civil)

Atualmente, a Polícia Civil intensificou as buscas pelo foragido e conta com o auxílio da população para localizar Adão Silva de Sousa. Quem possuir informações sobre o paradeiro do suspeito pode entrar em contato com o telefone 197; o sigilo é absoluto.

Enquanto as buscas continuam, o casal deverá ser indiciado por exploração sexual de menores e estupro de vulnerável, com a possibilidade de responderem também por trabalho análogo à escravidão, caso haja confirmação.

Por se tratar de um caso envolvendo menor de idade, a identidade dos pais e a cidade de origem da adolescente são mantidas em sigilo e o caso está em segredo de justiça.

Conduta dos pais

As investigações revelaram ainda que a jovem foi tirada do Maranhão e levada ao Distrito Federal sob a falsa promessa de acolhimento em um ambiente familiar. O pai e a mãe da menina também são investigados, sendo que o pai sabia que a menina iria ao DF, mas alegou que acreditava que ela estaria em um ‘ambiente saudável’.

“O genitor sabia que ela viria, só não sabia que era para viver como trisal. Já a mãe sequer sabia da viagem da filha”, afirmou a conselheira Tutelar de Brazlândia, Roberta Bonifácio.


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