BRASIL – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou uma notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acusando o chefe do Executivo dos crimes de ameaça e incitação ao crime. A ação foi motivada por declarações feitas por Lula durante um discurso em Catalão, Goiás, no início de junho.
Na petição, Flávio Bolsonaro solicita a abertura de inquérito para investigar as falas do presidente e sustenta que o petista teria incentivado apoiadores a praticarem atos de violência contra ele.
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Segundo os advogados do senador, Lula teria ultrapassado os limites do debate político ao associar adversários políticos à figura de “traidores da pátria”.
Discurso motivou ação no STF
A notícia-crime faz referência a um discurso em que Lula criticou integrantes da família Bolsonaro e afirmou que “traidores da pátria” mereceriam punição.
Durante o evento, o presidente mencionou Joaquim Silvério dos Reis, conhecido por delatar Tiradentes durante a Inconfidência Mineira.
De acordo com a defesa de Flávio Bolsonaro, a fala estabeleceu uma associação indireta entre o senador e a figura do traidor, sugerindo que ele seria alvo da mesma punição histórica.
Na ação, os advogados argumentam que a declaração configura ameaça e incitação ao crime por supostamente estimular violência contra o parlamentar.
Defesa aponta aumento de ameaças
Os advogados Tracy Reinaldet, Matteus Macedo e Leonardo Castegnaro sustentam que a manifestação presidencial teve grande alcance e potencial de mobilização.
Segundo a petição, após o discurso houve aumento de publicações nas redes sociais contendo ameaças e manifestações de violência contra Flávio Bolsonaro e familiares.
A defesa afirma que as mensagens alcançaram milhões de visualizações e reforça que o episódio deve ser analisado pelo STF em razão da relevância institucional do cargo ocupado por Lula.
Confronto eleitoral
A iniciativa amplia os embates entre Lula e Flávio Bolsonaro, que despontam como possíveis adversários na disputa presidencial de 2026.
O caso surge em meio ao aumento das críticas do senador ao governo federal em temas como segurança pública, economia e política externa.
Na ação, a defesa também destaca que Flávio Bolsonaro é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e relembra o atentado sofrido por ele durante a campanha presidencial de 2018.
Agenda no Pará
A divulgação da notícia-crime ocorreu enquanto Flávio Bolsonaro cumpre agenda política no Pará.
Durante evento no estado, o senador voltou a defender medidas mais rígidas na área de segurança pública, incluindo a classificação de facções criminosas como organizações terroristas.
Flávio também afirmou que, em um eventual governo, pretende ampliar o sistema prisional e defender propostas como a redução da maioridade penal e a castração química para condenados por estupro.
Até o momento, não houve manifestação pública do Palácio do Planalto sobre a notícia-crime apresentada ao STF.
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