embate político

Marcha para Jesus vira palco de embate entre Flávio Bolsonaro e governo Lula

Apesar da promessa de neutralidade política, Marcha para Jesus teve críticas ao governo federal, resposta de Lula e reação da AGU.

Ipolítica, com informações de O Globo

Marcha para Jesus em São Paulo teve discursos políticos de Flávio Bolsonaro, resposta de Lula e críticas do governo federal.
Marcha para Jesus em São Paulo teve discursos políticos de Flávio Bolsonaro, resposta de Lula e críticas do governo federal. (Maria Isabel Oliveira / O Globo)

BRASIL - A Marcha para Jesus, realizada nesta quinta-feira (4) em São Paulo, foi marcada por um embate político entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apesar da promessa dos organizadores de evitar manifestações partidárias, o evento religioso acabou sendo palco de discursos políticos, críticas ao governo federal e respostas de integrantes da gestão petista.

Do alto de um trio elétrico, Flávio Bolsonaro associou o governo Lula ao “mundo do mal” e afirmou que o país vive uma “guerra espiritual”. Já o presidente Lula, que não participou presencialmente da Marcha para Jesus, afirmou em ligação telefônica ao apóstolo Estevam Hernandes, organizador do evento, que evita participar de celebrações religiosas em período eleitoral para não transmitir a impressão de buscar vantagem política.

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Flávio Bolsonaro critica governo durante a Marcha para Jesus

Durante o percurso da Marcha para Jesus, Flávio Bolsonaro discursou para os participantes e fez referências diretas ao cenário político nacional.

Vamos orar pelo nosso Brasil. Essa guerra é espiritual, e hoje é a maior resposta que nós podemos dar ao mundo do mal, que vai ser expulso desse governo do Brasil este ano”, afirmou o senador.

A fala ocorreu em um dos principais trios elétricos do evento e foi recebida com manifestações de apoio de parte do público.

Mais tarde, já na área dos shows, Flávio voltou a discursar, recebeu aplausos e ouviu gritos de “Bolsonaro” enquanto carregava uma bandeira de Israel.

Lula diz que evita eventos religiosos em período eleitoral

Ausente da Marcha para Jesus, Lula participou do evento por meio de uma ligação telefônica reproduzida em viva-voz pelo ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias.

Na conversa com o apóstolo Estevam Hernandes, o presidente justificou sua ausência.

Eu não participo de nada da religião em época de eleição porque eu não quero passar a ideia de que estou tentando ter proveito político de uma coisa sagrada”, declarou.

Lula também lembrou que sancionou, em 2009, a lei que instituiu oficialmente o Dia Nacional da Marcha para Jesus.

Organização havia prometido neutralidade política

Na véspera do evento, o apóstolo Estevam Hernandes afirmou que a Marcha para Jesus não abriria espaço para discursos políticos. No entanto, as manifestações realizadas ao longo do dia contrariaram a expectativa.

Hernandes também declarou recentemente que vê com simpatia uma eventual candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, embora tenha afirmado não possuir definição formal de apoio.

Governo reage às declarações

O ministro Jorge Messias, que representou Lula na Marcha para Jesus, criticou o tom adotado pelo senador.

Segundo o advogado-geral da União, o evento deveria ser dedicado exclusivamente à fé e à celebração religiosa.

Hoje é dia de louvar e adorar a Deus, não é dia de comício”, afirmou.

Messias evitou ampliar a polêmica, mas ressaltou que cabe à população avaliar as manifestações feitas durante o encontro.

Evento reuniu milhares de pessoas em São Paulo

A Marcha para Jesus começou pela manhã na região da Luz, no Centro de São Paulo, e percorreu aproximadamente 3,5 quilômetros até a Praça Heróis da Força Expedicionária Brasileira (FEB), na Zona Norte da capital.

Segundo levantamento do Monitor do Debate Político da USP em parceria com a ONG More in Common, o evento reuniu cerca de 33,8 mil pessoas no horário de maior concentração. Já os organizadores divulgaram estimativa de público de 2 milhões de participantes.

Entre as autoridades presentes estavam:

  • Flávio Bolsonaro;
  • Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo;
  • Ricardo Nunes, prefeito da capital paulista;
  • Jorge Messias, ministro da AGU;
  • André Mendonça, ministro do STF.

A edição de 2026 da Marcha para Jesus ocorreu em meio ao início da movimentação política para as eleições presidenciais, cenário que contribuiu para transformar o evento religioso em mais um espaço de disputa entre aliados do bolsonarismo e o governo federal.

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