fim da escala 6x1

Indústria critica prazo para redução da jornada de trabalho para 40 horas

CNI defende mais tempo de adaptação para empresas diante da proposta de fim da escala 6x1 em discussão na Câmara

Ipolítica, com informações do Brasil 61

CNI pede prazo maior para adaptação à jornada de 40 horas e ao fim da escala 6x1
CNI pede prazo maior para adaptação à jornada de 40 horas e ao fim da escala 6x1 (Divulgação)

BRASÍLIA – A Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticou o prazo previsto na proposta que reduz a jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas e acaba com a escala 6x1.

O posicionamento ocorreu após a apresentação do relatório do deputado Léo Prates (Republicanos-BA), na última segunda-feira (25) na comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa o tema.

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Mudança gradual

O texto apresentado une as PECs 221/19 e 8/25 e prevê uma transição de 14 meses para implementação das novas regras.

Pela proposta, 60 dias após a promulgação da emenda constitucional passaria a valer a escala de cinco dias de trabalho e dois dias de descanso.

Nesse mesmo período, a jornada semanal cairia de 44 para 42 horas.

Depois de um ano, a carga horária seria reduzida novamente, passando de 42 para 40 horas semanais.

Críticas da indústria

O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que o prazo é insuficiente para adaptação das empresas, especialmente pequenas e médias.

Segundo ele, a mudança pode comprometer o planejamento estratégico e gerar insegurança jurídica.

Alban também disse que a implementação acelerada pode provocar aumento dos custos de produção e impacto direto nos preços ao consumidor.

De acordo com o dirigente, a discussão sobre a modernização da jornada é legítima, mas precisa ocorrer com maior aprofundamento técnico.

Impacto econômico

Segundo estudo apresentado pela CNI, a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas pode elevar em até R$ 267,2 bilhões por ano os custos das empresas com empregados formais.

O levantamento aponta aumento de até 7% na folha de pagamento.

Na indústria, o impacto estimado chega a R$ 88 bilhões, o equivalente a alta de 11% nos custos do setor.

Simulações do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas indicam ainda possibilidade de retração de até 11,3% do Produto Interno Bruto e aumento da informalidade e do desemprego.

Pressão no Congresso

Os dados foram apresentados ao Congresso Nacional em abril deste ano por meio de manifesto assinado pela CNI, federações estaduais, associações setoriais e sindicatos industriais.

No documento, as entidades afirmam que mudanças dessa magnitude podem afetar investimentos, empregos formais e competitividade econômica.

A CNI informou que continuará dialogando com deputados e senadores para defender um prazo maior de transição para as novas regras da jornada de trabalho.

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