INVESTIGAÇÃO

PGR recebe pedido para investigar Mario Frias por suspeita de rachadinha

Representação apresentada pelo PSOL cita repasses feitos por ex-assessora do gabinete de Mario Frias a aliados e familiares do deputado.

Ipolítica, com informações do g1

PGR recebe pedido para investigar Mario Frias após denúncia de repasses feitos por ex-assessora do gabinete do deputado.
PGR recebe pedido para investigar Mario Frias após denúncia de repasses feitos por ex-assessora do gabinete do deputado. (Foto: divulgação)

BRASIL - A Procuradoria-Geral da República (PGR) recebeu nesta segunda-feira (25) um pedido para investigar o deputado federal Mario Frias por suspeita de prática de rachadinha em seu gabinete na Câmara dos Deputados. A representação foi apresentada pelo deputado Chico Alencar após reportagem do g1 revelar transferências bancárias e pagamentos feitos por uma ex-funcionária do gabinete do parlamentar.

Segundo a denúncia, a ex-secretária parlamentar Gardênia Morais afirmou que devolvia parte do salário mensalmente e que outros funcionários também realizavam repasses semelhantes, prática conhecida como rachadinha.

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Pedido de investigação contra Mario Frias

No documento encaminhado à PGR, Chico Alencar aponta possíveis crimes de peculato, concussão, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A representação cita comprovantes e extratos bancários que indicam transferências realizadas pela ex-assessora ao então chefe de gabinete Raphael Azevedo e a familiares ligados ao deputado.

De acordo com o parlamentar do PSOL, os documentos mostram movimentações financeiras feitas entre fevereiro de 2023 e março de 2024, sempre próximas às datas de pagamento do salário recebido pela servidora da Câmara.

Transferências e pagamentos citados na denúncia

Entre os comprovantes obtidos pela reportagem estão:

  • PIX de R$ 4,6 mil para Raphael Azevedo em fevereiro de 2023;
  • PIX de R$ 5 mil em março de 2023;
  • Transferências para familiares do ex-chefe de gabinete;
  • Pagamento de fatura de cartão da esposa de Mario Frias;
  • PIX de R$ 1 mil para a mãe do deputado;
  • Saque em dinheiro de quase R$ 50 mil realizado pela ex-funcionária.

Gardênia Morais afirmou ao g1 que o deputado tinha conhecimento das devoluções.

O deputado sabia, o deputado estava ciente de todas as devoluções”, declarou.

Empréstimos consignados também são citados

A ex-servidora relatou ainda ter feito cinco empréstimos consignados, totalizando cerca de R$ 174 mil. Segundo ela, apenas um dos empréstimos foi para uso pessoal e os demais teriam sido feitos para quitar dívidas de campanha eleitoral.

Ela afirmou que os valores não foram pagos e que atualmente enfrenta problemas financeiros e restrições no nome.

Defesa ainda não se manifestou

O atual chefe de gabinete de Mario Frias informou ao g1 que desconhece os fatos porque entrou no gabinete após o período citado na denúncia. Segundo ele, há convicção de que o deputado também não tinha conhecimento das movimentações.

Até a publicação da reportagem, nem Mario Frias nem o ex-chefe de gabinete Raphael Azevedo haviam se pronunciado oficialmente sobre as acusações.

Como deputado federal, Mario Frias possui foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal (STF), cabendo à PGR avaliar eventual abertura de investigação ou apresentação de denúncia.

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