ELEIÇÕES 2026

Cortes de vídeo viram arma digital e mercado nas eleições de 2026

Estratégia de cortes virais ganha força entre partidos e candidatos, movimenta plataformas digitais e amplia disputa por atenção nas redes

Ipolítica, com informações de O Globo

Cortes de vídeo ganham espaço nas eleições de 2026, impulsionam campanhas digitais e movimentam mercado de plataformas e cursos.
Cortes de vídeo ganham espaço nas eleições de 2026, impulsionam campanhas digitais e movimentam mercado de plataformas e cursos. (Reprodução)

BRASIL - Os cortes de vídeo viraram uma das principais estratégias digitais para as eleições de 2026 e passaram a movimentar um mercado voltado à viralização de conteúdos políticos nas redes sociais. Utilizado inicialmente por influenciadores e popularizado no cenário eleitoral em 2024, o formato agora integra as estratégias de partidos e candidatos na disputa pela atenção do eleitor.

Os chamados cortes virais são trechos curtos e dinâmicos extraídos de vídeos mais longos, editados para aumentar o compartilhamento e o engajamento nas plataformas digitais. A técnica ganhou força após a campanha do ex-coach Pablo Marçal em 2024 e vem sendo adotada por diferentes grupos políticos.

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Cortes de vídeo impulsionam campanhas políticas

Com a aproximação das eleições, partidos e movimentos passaram a investir em treinamentos, plataformas e ferramentas de inteligência artificial para acelerar a produção de cortes de vídeo.

Segundo o professor e pesquisador da USP Pablo Ortellado, a estratégia busca disputar espaço em meio ao excesso de conteúdo nas redes sociais.

Disputa-se atenção em um feed cheio de outras coisas, e o corte captura a essência da comunicação, buscando trechos que engajam mais”, afirmou.

O especialista também destaca que o sucesso do modelo depende do volume de publicações.

Tentativa e erro”, resumiu.

Mercado de cortes cresce com plataformas e cursos

A expansão dos cortes de vídeo fez surgir um ecossistema de aplicativos, plataformas e profissionais especializados em viralização. Ferramentas como Clipei e Clipfy passaram a organizar conteúdos e automatizar parte do processo de edição.

Além disso, novas soluções com inteligência artificial prometem acelerar a criação dos materiais. A ferramenta Real Oficial, por exemplo, afirma conseguir gerar até 15 cortes para cada 30 minutos de vídeo analisado.

O crescimento do setor também estimulou a criação de cursos voltados à monetização e produção de cortes políticos.

O Movimento Brasil Livre (MBL), por exemplo, lançou em 2025 o curso “Máquina de Cortes”, voltado à formação de editores e produtores de conteúdo político digital.

Segundo a divulgação do curso, alunos poderiam faturar com monetização em plataformas como YouTube.

TSE proibiu campeonatos de cortes

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) endureceu as regras sobre o uso político dos cortes de vídeo neste ano.

A Corte proibiu a contratação de pessoas para publicar conteúdo político-eleitoral em perfis próprios mediante remuneração ou premiação por alcance, prática conhecida como “campeonato de cortes”.

A medida foi adotada após o uso do modelo por Pablo Marçal nas eleições anteriores. O entendimento do TSE é de que a prática cria incentivo econômico indireto para impulsionamento eleitoral.

Segundo o professor da Uerj e diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS), Carlos Affonso Souza, a decisão tenta limitar mecanismos artificiais de alcance político nas redes.

A resolução do TSE é adequada para tratar o problema como ele se apresentou na eleição passada”, afirmou.

PT investe em estratégia digital com cortes de vídeo

Partidos políticos também passaram a estruturar equipes e treinamentos específicos para ampliar a circulação de cortes de vídeo.

Sob nova direção na Secretaria de Comunicação, o PT realizou oficinas e seminários voltados à produção de conteúdo digital. O partido também disponibiliza cortes de discursos e entrevistas de lideranças em plataformas próprias.

Entre os temas priorizados nas publicações estão pautas defendidas pelo governo Lula, como o fim da escala 6x1.

Segundo o secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, a estratégia atual prioriza velocidade e circulação rápida da informação.

Promovemos uma estratégia de redes sociais em que o foco está na rapidez e na fluidez da informação, com cortes de entrevistas, discursos e resoluções do PT e do presidente Lula”, declarou.

Ferramentas digitais devem marcar eleições de 2026

Especialistas avaliam que os cortes de vídeo devem ter papel central na comunicação política durante as eleições deste ano.

A combinação entre inteligência artificial, edição automatizada e algoritmos de recomendação ampliou a capacidade de distribuição de conteúdo político em larga escala.

Ao mesmo tempo, o avanço dessas ferramentas também aumenta o debate sobre desinformação, monetização eleitoral e regulação das plataformas digitais.

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