Agência de ex-marketeiro de Flávio Bolsonaro tem R$ 99 milhões em contratos com governo federal
Empresa de publicidade ligada a ex-coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro firmou contratos ainda no governo Bolsonaro e manteve renovações no governo Lula
BRASÍLIA – A agência de publicidade Cálix Propaganda, pertencente ao ex-marketeiro da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Marcello Lopes, acumula R$ 99,2 milhões em contratos com governo federal entre abril de 2022 e maio de 2026.
Os dados constam no Portal de Compras do Governo Federal e envolvem contratos firmados ainda durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas renovados na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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Segundo os registros, a empresa já recebeu R$ 39,7 milhões e ainda tem R$ 59,6 milhões a receber por serviços empenhados.
Marcello Lopes, conhecido como Marcellão, é ex-policial civil, amigo pessoal de Flávio Bolsonaro e anunciou nesta quarta-feira (20) que deixará a coordenação de comunicação da pré-campanha do senador à Presidência da República.
Contratos com governo federal
O principal contrato da Cálix Propaganda foi assinado em dezembro de 2021 com o então Ministério do Desenvolvimento Regional, comandado à época por Rogério Marinho (PL-RN).
O acordo previa até R$ 55 milhões anuais para prestação de serviços de publicidade institucional.
Atualmente, a pasta se chama Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
Rogério Marinho, que era ministro no governo Bolsonaro, hoje é líder da oposição no Senado e coordena a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
O segundo contrato foi firmado em maio de 2022 com o então Ministério da Infraestrutura, que era comandado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador de São Paulo.
Nesse caso, o valor anual previsto é de até R$ 14,9 milhões. A assinatura formal ocorreu em abril de 2023, por conta dos trâmites do período eleitoral.
Governo Lula
Os dois contratos continuaram vigentes durante o governo Lula e passaram por sucessivas renovações.
O contrato ligado ao Ministério da Integração foi prorrogado até abril de 2026. Já o acordo com o Ministério dos Transportes teve renovação estendida até 2027.
Somados, os contratos geraram R$ 91,8 milhões em valores empenhados. Segundo os dados oficiais, o governo ainda terá de arcar com aproximadamente R$ 7,5 milhões em juros e multas relacionados a atrasos nos pagamentos.
O Portal de Compras aponta que a agência recebeu R$ 22,6 milhões no mesmo exercício fiscal em que os serviços foram faturados e outros R$ 17 milhões em anos seguintes, por meio dos chamados restos a pagar.
Os restos a pagar são despesas empenhadas em um ano, mas quitadas apenas em exercícios posteriores.
Saída da campanha
Marcello Lopes decidiu deixar a coordenação de comunicação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro após conversas com o senador ao longo desta quarta-feira (20).
Segundo ele, a decisão partiu do próprio publicitário, que afirmou querer focar na administração da empresa.
Apesar de a entrada oficial na campanha estar prevista para 1º de junho, Lopes já atuava nos bastidores da pré-candidatura nas últimas semanas.
Com a saída, o publicitário Eduardo Fischer assumirá o comando da comunicação da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
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