Senado

Senado analisa indicação para presidência da CVM nesta quarta-feira

Otto Lobo foi indicado para mandato tampão até 2027 e teve nome alvo de críticas no mercado financeiro

Ipolítica, com informações do g1

Senado analisa indicação de Otto Lobo para presidência da CVM; nome enfrenta resistência no mercado financeiro
Senado analisa indicação de Otto Lobo para presidência da CVM; nome enfrenta resistência no mercado financeiro (Pedro França / Agência Senado)

BRASÍLIA – A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado deve analisar nesta quarta-feira (20) a indicação do advogado Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda responsável pela regulação do mercado de capitais e dos fundos de investimento no país.

Se aprovado, Lobo cumprirá um mandato tampão até julho de 2027, completando o período restante deixado por João Pedro Nascimento, que deixou o cargo em julho do ano passado.

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Relator apresentou parecer favorável

O senador Eduardo Braga (MDB-AM), relator da indicação, apresentou parecer favorável ao nome indicado pelo Palácio do Planalto.

No documento, Braga destacou que o Ministério da Fazenda atestou a “idoneidade moral e reputação ilibada” do indicado, além de considerar compatível sua formação acadêmica e perfil profissional para o cargo.

Antes de concluir o parecer, Braga conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para confirmar a manutenção da indicação.

Indicação dividiu governo e mercado

A escolha de Otto Lobo gerou divergências dentro do governo federal. O Ministério da Fazenda, ainda sob comando de Fernando Haddad, se posicionou contra a indicação. Segundo interlocutores, o atual ministro Dario Durigan também mantém resistência ao nome.

Apesar disso, Lula decidiu manter a indicação.

O nome de Lobo também enfrentou críticas no mercado financeiro devido a decisões tomadas durante o período em que presidiu a CVM interinamente.

Decisões ligadas ao Banco Master

Uma das decisões questionadas envolveu a Ambipar, empresa de gestão de resíduos que realizou operações financeiras com o Banco Master.

Em voto de desempate, Otto Lobo dispensou a empresa da realização de uma oferta pública de ações (OPA), contrariando a área técnica da CVM.

Os técnicos apontavam suspeitas de atuação coordenada entre empresários e o Banco Master para elevar artificialmente o valor das ações da companhia.

Dias antes da liquidação do Banco Master, em outubro de 2025, a recuperação judicial da Ambipar foi aprovada.

TCU arquivou pedido de suspensão

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) chegou a pedir a suspensão da sabatina de Otto Lobo no Senado, mas o processo acabou arquivado pela corte.

Nos bastidores, a indicação de Lobo é atribuída ao apoio de empresários e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), embora o senador negue ser padrinho político do indicado.

Além de Otto Lobo, a CAE também deve analisar a indicação de Igor Muniz para uma diretoria da CVM. A expectativa é que os nomes sejam votados ainda nesta quarta-feira no plenário do Senado.

CVM tem vagas abertas

A diretoria da CVM é formada por cinco integrantes com mandatos de cinco anos.

Atualmente, apenas duas cadeiras estão ocupadas, deixando a autarquia com três vagas abertas no colegiado. Apesar disso, o governo federal encaminhou ao Senado apenas duas indicações até o momento.

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