Eleições 2026

Estudo aponta avanço de perfis políticos criados por IA nas redes sociais

Levantamento identificou 18 avatares artificiais usados para comentar política no Brasil; maioria não informava uso de IA

Ipolítica, com informações do g1

Dona Maria, personagem criada por IA
Dona Maria, personagem criada por IA (Reprodução)

BRASÍLIA – Um levantamento do Observatório das Eleições apontou que a maioria dos perfis criados artificialmente para comentar política nas redes sociais não informa que utiliza inteligência artificial. Segundo a pesquisa, 61% das publicações analisadas não apresentavam qualquer aviso sobre o uso da tecnologia.

O estudo identificou 18 casos de personagens produzidos com inteligência artificial entre janeiro de 2025 e abril de 2026. Os avatares aparecem como influenciadores, comentaristas políticos, eleitores e lideranças populares em plataformas digitais.

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Perfis artificiais e desinformação

A pesquisa foi realizada pelas organizações Data Privacy Brasil e Aláfia Lab. Segundo o levantamento, em muitos casos a origem artificial dos conteúdos só foi identificada após análise técnica de elementos como resolução das imagens, proporções e características robotizadas de áudio e vídeo.

Entre os exemplos citados está a personagem “Dona Maria”, criada artificialmente e conhecida por publicar críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e setores da esquerda. Outro caso mencionado é o do personagem “Seu Zé da Feira”, que publica conteúdos críticos a políticos de direita e favoráveis ao governo federal.

Segundo o estudo, 14 dos 18 casos analisados continham conteúdos considerados enganosos sobre políticos ou instituições democráticas, o equivalente a 78% do total.

Regras do TSE para uso de IA

As regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições de 2026 determinam que conteúdos produzidos ou manipulados com inteligência artificial devem trazer aviso explícito sobre o uso da tecnologia.

A identificação precisa aparecer em local de destaque e informar que o material foi produzido artificialmente, além da tecnologia utilizada.

Nos sete casos em que havia algum tipo de aviso, a pesquisa apontou que a sinalização ocorreu de maneiras diferentes. Em três situações, os marcadores foram feitos automaticamente pelas plataformas. Em outras duas, havia marcas d’água das ferramentas utilizadas, enquanto os dois casos restantes usavam hashtags para indicar o uso de IA.

Redes sociais e repercussão

Os conteúdos circularam principalmente no TikTok e no Instagram, com seis casos identificados em cada plataforma. O YouTube apareceu em seguida, com três registros. Também houve ocorrências no X, Kwai e Facebook.

Entre os alvos dos conteúdos estavam o presidente Lula, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Luís Roberto Barroso.

Segundo os pesquisadores, os casos revelam um novo desafio para o ambiente digital ao utilizarem personagens aparentemente humanos para influenciar debates políticos e simular opiniões espontâneas nas redes sociais.

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