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Câmara dos deputados pode votar voto distrital misto ainda neste semestre

Relator da proposta afirma que Câmara deve construir agenda de votação até o fim de maio para analisar mudança no sistema eleitoral

Ipolítica, com informações do Brasil 61

Atualizada em 18/05/2026 às 09h56
Câmara pode votar proposta do voto distrital misto ainda no primeiro semestre, segundo o relator Domingos Neto
Câmara pode votar proposta do voto distrital misto ainda no primeiro semestre, segundo o relator Domingos Neto (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

BRASÍLIA – A Câmara dos Deputados pode votar ainda no primeiro semestre o projeto que institui o voto distrital misto no Brasil. A previsão é do relator da proposta, deputado federal Domingos Neto (PSD-CE), responsável pelo PL 9.212/2017.

Segundo o parlamentar, a expectativa é construir até o fim de maio uma agenda para levar o texto ao plenário. O projeto tramita desde 2017 e propõe mudanças no atual sistema proporcional utilizado nas eleições para deputados e vereadores.

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Mudança no sistema eleitoral

De acordo com Domingos Neto, o voto distrital misto busca aproximar eleitores de seus representantes e aumentar a cobrança sobre os mandatos parlamentares.

“Onde se adota voto distrital ou distrital misto, o principal foco é accountability, é você poder cobrar do seu representante”, afirmou o deputado.

Na avaliação do relator, o atual sistema proporcional apresenta distorções que se agravaram nos últimos anos, especialmente com o crescimento de candidaturas impulsionadas pela popularidade nas redes sociais.

“Temos visto, ao longo do tempo, a entrada na política, por exemplo, de influencers, youtubers, cantores, muitas vezes muito mais em função do número de seguidores do que das propostas”, declarou.

O parlamentar também citou preocupações com a influência do crime organizado na política.

Apoio ao voto distrital misto

A proposta é defendida por entidades do setor produtivo, como a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB).

Segundo a entidade, o voto distrital misto pode fortalecer a representatividade política, aproximar eleitores dos parlamentares e reduzir custos de campanha.

O presidente da CACB, Alfredo Cotait Neto, afirmou que o modelo pode equilibrar a representação entre diferentes regiões do país.

“O voto distrital aproxima o eleitor do seu representante. No sistema proporcional, muitas regiões acabam sem representantes”, disse.

Como funciona o voto distrital misto

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o voto distrital misto divide estados e municípios em distritos eleitorais equivalentes ao número de vagas em disputa.

Nesse modelo:

  • cada distrito elege um representante;
  • os candidatos disputam votos apenas dentro do próprio distrito;
  • os eleitores passam a ter representantes ligados diretamente à região onde vivem.

O sistema é diferente do atual modelo proporcional, em que os votos são contabilizados em todo o estado para definição das vagas parlamentares.

Possível aplicação em 2030

Caso o projeto seja aprovado pelo Congresso Nacional, a previsão é que o voto distrital misto passe a valer a partir das eleições de 2030.

Para Domingos Neto, a mudança pode ajudar a reduzir a fragmentação partidária e dar mais estabilidade política ao Congresso.

“O Brasil é uma potência, mas hoje é como se fosse um carro de Fórmula 1 amarrado por correntes”, afirmou o deputado.

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