BRASÍLIA - A operação da Polícia Federal (PF) que atingiu o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, provocou abalos na estratégia eleitoral do entorno do senador Flávio Bolsonaro para a disputa presidencial e abriu uma nova frente de desgaste na pré-campanha bolsonarista. O avanço das investigações sobre supostas fraudes envolvendo o Banco Master e as revelações relacionadas à tentativa de “blindagem política” negociada pelo empresário Daniel Vorcaro fizeram aliados do PL passarem a questionar, nos bastidores, o custo político da aproximação com partidos do Centrão.
Flávio Bolsonaro
Embora interlocutores ligados a Flávio reconheçam que o caso impactou diretamente a articulação com a federação União Brasil-PP — considerada estratégica para o projeto eleitoral do PL —, a avaliação predominante é de cautela. A orientação, neste momento, é aguardar os desdobramentos da investigação antes de qualquer movimento político mais brusco. Ciro Nogueira é suspeito de utilizar o mandato para beneficiar o Banco Master e de ter recebido propina que poderia chegar a R$ 500 mil, acusações que ele nega.
Nos bastidores, aliados do senador avaliam que uma ruptura precipitada com PP e União Brasil teria elevado custo eleitoral, sobretudo em razão dos acordos estaduais já consolidados. O PL mantém entendimentos ou negociações avançadas com a federação em pelo menos nove estados.
No Distrito Federal, por exemplo, o partido apoia a candidatura da vice-governadora Celina Leão. Na Bahia, há movimentações em torno de uma aproximação com ACM Neto. Em Alagoas, o PL deve caminhar ao lado de Arthur Lira na disputa pelo Senado. Já no Tocantins, a tendência é de apoio à senadora Dorinha Seabra.
Aliança partidária nos estados
As alianças também alcançam estados como Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Ceará e Rio de Janeiro. Em São Paulo, PP e União orbitam o grupo político do governador Tarcísio de Freitas, considerado peça central do projeto bolsonarista para 2026.
O impacto da operação da PF levou ao adiamento de um evento no qual o PP oficializaria apoio à reeleição de Tarcísio. A decisão foi tomada para evitar desgaste político ao governador, a Ciro Nogueira e ao secretário de Segurança Pública paulista Guilherme Derrite, que também participaria do ato. Apesar da turbulência, Tarcísio afirmou que a investigação não deverá afetar sua campanha.
Em meio à crise, Flávio Bolsonaro divulgou vídeo nas redes sociais tentando associar o escândalo ao PT. Na gravação, ele criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e citou o caso envolvendo o filho do petista, além de afirmar que parlamentares do PT atuaram contra a instalação da CPI do Banco Master.
O senador também mencionou supostas ligações do banco com lideranças petistas da Bahia, entre elas o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner.
Poucas horas após a operação, Flávio divulgou nota classificando como “graves” os fatos revelados pela investigação e defendendo ampla apuração conduzida pelo ministro André Mendonça, indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
A manifestação, contudo, causou desconforto entre integrantes do Centrão e até dentro da própria pré-campanha bolsonarista. Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, é considerado peça relevante na engrenagem política do grupo.
Aliados falam sobre relação com o PP
Reservadamente, aliados de Flávio avaliam que o tom adotado pelo senador ampliou o mal-estar com o PP. Alguns chegaram a classificar a repercussão da nota como um “desastre”, por entenderem que a manifestação transmitiu um excessivo distanciamento do presidente do partido aliado.
Entre os aliados do PL, cresce a preocupação com a exploração política do caso pela campanha de Lula. O receio é que o slogan “Bolso Master” passe a ser utilizado para associar o clã Bolsonaro ao escândalo investigado pela Polícia Federal.
Apesar disso, integrantes da legenda defendem a manutenção da aliança com a federação União-PP, considerada essencial pela estrutura política e pelo tempo de televisão.
“O que aconteceu diz respeito ao Ciro, não à federação. Tudo que o Lula quer é que desistamos da federação para tentar pegar o tempo de televisão”, afirmou o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante.
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