Comissão deve reconhecer que JK foi morto pela ditadura militar, diz relatório
Documento da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos aponta que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi vítima de ação da ditadura militar.
BRASÍLIA – Um relatório da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) concluiu que o ex-presidente Juscelino Kubitschek, o JK, foi morto pela ditadura militar em 1976, contrariando a versão oficial de acidente automobilístico aceita durante décadas no Brasil.
O documento foi elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão e está em análise pelos conselheiros da comissão. A expectativa é de que o parecer seja aprovado na próxima reunião do colegiado, segundo apuração do repórter Fábio Victor, da Folha de S. Paulo.
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A tese de que JK morto pela ditadura foi vítima de perseguição política ganhou força após investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal (MPF) entre 2013 e 2019. O inquérito apontou falhas graves nas apurações feitas durante o regime militar.
As investigações oficiais da época afirmavam que o carro de JK perdeu o controle após uma colisão com um ônibus da Viação Cometa, na Via Dutra. No entanto, perícias mais recentes descartaram a existência desse choque antes do acidente.
O relatório da CEMDP também utiliza estudos técnicos do engenheiro Sergio Ejzenberg, que concluiu que os laudos usados anteriormente eram inconsistentes. Segundo ele, não há elementos técnicos que sustentem a versão oficial apresentada durante a ditadura.
Outro ponto destacado no documento é o contexto político vivido por JK. Cassado após o golpe militar de 1964, o ex-presidente integrava movimentos de oposição ao regime e chegou a ser citado em documentos relacionados à Operação Condor, ação coordenada entre ditaduras sul-americanas.
Caso o relatório seja aprovado, a comissão poderá recomendar a alteração da certidão de óbito de JK e de seu motorista, Geraldo Ribeiro, reconhecendo oficialmente que as mortes ocorreram por perseguição política promovida pelo Estado brasileiro.
A Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos é um órgão de Estado criado em 1995 para reconhecer vítimas da repressão política no período da ditadura militar. O caso de JK voltou a ser analisado no ano passado.
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