Projeto de Lei

Caso de agressão contra doméstica grávida em Paço do Lumiar motiva projeto de lei para proteger domésticas

Proposta da senadora Eliziane Gama cria rede de proteção para trabalhadoras domésticas vítimas de violência e abusos

Ipolítica

Atualizada em 08/05/2026 às 11h36
Projeto cria proteção para trabalhadoras domésticas vítimas de violência
Projeto cria proteção para trabalhadoras domésticas vítimas de violência (Reprodução / TV Mirante)

BRASÍLIA – Começou a tramitar no Senado um projeto de lei da senadora Eliziane Gama (PT) que cria o Programa Nacional de Proteção à Trabalhadora Doméstica, com medidas de apoio e proteção para mulheres vítimas de violência nesse tipo de relação de trabalho.

A proposta ganhou repercussão após o caso de uma jovem doméstica de 19 anos, grávida, que denunciou agressões e tortura supostamente cometidas pela patroa, Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, em Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luís.

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Rede de proteção

O Projeto de Lei 2.243/2026 prevê prioridade no atendimento às trabalhadoras domésticas vítimas de violência, além da criação de canais seguros para denúncias de abusos.

O texto também propõe integração entre órgãos de fiscalização e assistência social para garantir acolhimento psicológico e jurídico às vítimas.

Além disso, o programa prevê campanhas de conscientização sobre os direitos das trabalhadoras domésticas e mecanismos de proteção contra exploração e violência no ambiente de trabalho.

Endurecimento das penas

Um dos principais pontos da proposta é o endurecimento das penas para crimes praticados contra trabalhadoras domésticas.

Segundo o texto, as punições previstas no Código Penal poderão ser agravadas quando a violência ocorrer nesse contexto, especialmente nos casos em que a vítima estiver grávida.

Nas redes sociais, Eliziane afirmou que o episódio ocorrido no Maranhão revelou a vulnerabilidade enfrentada por muitas mulheres no ambiente de trabalho doméstico.

“O caso ocorrido no Maranhão chocou o país e expõe uma realidade que ainda precisa ser enfrentada com firmeza”, declarou a senadora.

Vulnerabilidade social

Na justificativa apresentada ao Senado, Eliziane Gama afirmou que o projeto enfrenta uma realidade “historicamente invisibilizada” das trabalhadoras domésticas.

Segundo a parlamentar, muitas mulheres ainda são submetidas a agressões físicas, humilhações, jornadas abusivas e violações de direitos fundamentais dentro do ambiente de trabalho.

A senadora também destacou que a vulnerabilidade social agrava a exposição dessas trabalhadoras a diferentes tipos de violência e defendeu a criação de mecanismos específicos de prevenção, acolhimento e articulação institucional.

Relembre o caso

A jovem, grávida de cinco meses à época, denunciou as agressões e afirmou que foi acusada de furtar joias que depois teriam sido encontradas dentro da própria residência da empresária. Segundo o relato, ela sofreu puxões de cabelo, tapas, socos e ameaças de morte.

Áudios atribuídos à empresária, anexados ao inquérito, mostram relatos das agressões e da participação de um homem armado no caso.

Quatro policiais militares que atenderam à ocorrência foram afastados das funções após a divulgação de áudios em que a empresária afirma que não foi levada à delegacia porque conhecia um dos agentes. Segundo a Polícia Civil, o afastamento busca garantir a apuração da conduta dos PMs que estiveram no local.

A Polícia Civil do Maranhão informou que Carolina Sthela é investigada por crimes como tentativa de homicídio triplamente qualificado, cárcere privado, calúnia, difamação e injúria. Ela foi presa em Teresina, no Piauí. Um policial militar apontado como suspeito de participação nas agressões também foi preso.

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