STF

Celso de Mello diz que Senado cometeu grave equívoco

Celso de Mello critica rejeição de Messias ao STF e diz que Senado cometeu grave equívoco institucional ao barrar indicação de Lula

Ipolítica, com informações da Agência Brasil

Celso de Mello critica rejeição de Messias ao STF
Celso de Mello critica rejeição de Messias ao STF (Valter Campanato / Agência Brasil)

BRASÍLIA – O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello afirmou nesta quarta-feira (29) que o Senado cometeu um “grave equívoco institucional” ao rejeitar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga na Corte. A manifestação foi feita por meio de nota divulgada após a votação no plenário.

A rejeição ocorreu no início da noite, quando os senadores decidiram barrar o nome indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ocupar a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.

Crítica à decisão

Na nota, Celso de Mello classificou a decisão do Senado como injustificável e afirmou que ela não condiz com a trajetória profissional de Jorge Messias. O ex-ministro destacou que o indicado reúne os requisitos exigidos pela Constituição para assumir o cargo no Supremo.

“Trata-se de grave equívoco institucional, pois o Dr. Jorge Messias reúne, de modo pleno, os requisitos que a Constituição da República exige para a legítima investidura no cargo de ministro da Suprema Corte”

Avaliação sobre o indicado

Celso de Mello também afirmou que não vê justificativa legítima para a rejeição da indicação feita pelo presidente da República. Segundo ele, a decisão representa uma perda para o tribunal e para o país.

“Considero profundamente infeliz a decisão do Senado Federal. Perdeu-se a oportunidade de incorporar ao Supremo Tribunal Federal um jurista sério, preparado, experiente e comprometido com os valores superiores do Estado Democrático de Direito”

Trajetória no STF

O ex-ministro integrou o Supremo Tribunal Federal por mais de três décadas, entre 1989 e 2020, período em que participou de julgamentos considerados relevantes para a consolidação da Constituição de 1988. Ele foi o integrante mais antigo da Corte até sua aposentadoria.

A manifestação de Celso de Mello ocorre no mesmo dia em que outros integrantes e ex-integrantes do Judiciário começaram a reagir publicamente à decisão do Senado, que rejeitou pela primeira vez, em anos recentes, um indicado ao Supremo.

Contexto da votação

A indicação de Jorge Messias vinha sendo alvo de resistência no Senado, especialmente entre parlamentares da oposição e parte da base aliada. O placar final evidenciou dificuldades do governo na articulação política para garantir apoio suficiente à aprovação.

Com a rejeição, a vaga no Supremo permanece aberta, e cabe agora ao presidente Lula indicar um novo nome, que também deverá passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça e votação no plenário do Senado.

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