BRASÍLIA – O aumento dos precatórios dos Correios levou bancos a travar parte do faturamento da estatal no segundo trimestre de 2025, agravando a situação financeira da empresa. A medida foi aplicada após o descumprimento de cláusulas previstas em contrato de empréstimo firmado em junho de 2024.
Segundo documento interno da Diretoria Econômico-Financeira (DIEFI), que analisa a situação da empresa até setembro de 2025, o bloqueio teve impacto direto na operação da estatal.
Cláusula acionada
O contrato de empréstimo de R$ 1,8 bilhão, assinado em junho de 2024 durante a gestão do ex-presidente Fabiano Silva dos Santos, previa a manutenção de estabilidade no volume de precatórios dos Correios.
No entanto, ao longo de 2025, com o reconhecimento de novas perdas judiciais, o estoque dessas dívidas aumentou, levando os credores a acionar garantias previstas no acordo.
Entre os mecanismos estavam a retenção integral de valores depositados em contas garantia, execução de garantias fiduciárias e a possibilidade de cobrança antecipada da dívida.
Impacto no caixa
Com o bloqueio do faturamento no segundo trimestre de 2025, os precatórios dos Correios passaram a impactar diretamente a liquidez da empresa.
O relatório aponta que, no segundo semestre de 2025, a estatal enfrentou dificuldades para manter pagamentos a fornecedores e compromissos operacionais.
“O bloqueio de faturamento imposto pelos credores caracteriza cenário de alta criticidade”
A falta de recursos comprometeu a prestação de serviços e fragilizou a capacidade de cumprir obrigações trabalhistas e tributárias.
Renegociação do contrato
Para retomar o acesso ao faturamento, os Correios iniciaram negociação com o sindicato de bancos, formado por Citibank, BTG Pactual e Banco ABC do Brasil.
O acordo foi firmado no fim de 2025 e redefiniu o limite de precatórios para até R$ 2,5 bilhões, além de suspender temporariamente o reconhecimento de novas perdas entre setembro e dezembro de 2025.
Custos adicionais
A renegociação trouxe impacto financeiro adicional para a estatal.
Os Correios pagaram R$ 44,8 milhões em taxa de dispensa de obrigação contratual, quitada em novembro e dezembro de 2025.
Além disso, a taxa de juros foi elevada progressivamente: passou de 3% ao ano mais DI para 4% entre 28 de setembro e 28 de novembro de 2025, e depois para 5% ao ano mais DI a partir de 28 de novembro.
Com isso, o custo efetivo da operação aumentou de 21,99% para 25,67% ao ano.
Novas condições
O novo contrato também alterou o cronograma de pagamento.
Inicialmente previsto para começar em maio de 2026, o pagamento foi antecipado para janeiro de 2025 e passou a ser mensal.
Além disso, foi incluída uma cláusula que permite o retorno à taxa original caso a empresa consiga um aporte superior a R$ 5 bilhões.
Pressão financeira
Segundo o presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon, o principal problema enfrentado pela estatal foi a falta de liquidez.
“A questão mais aguda de verdade era a liquidez”
No fim de 2025, a empresa acumulava cerca de R$ 5 bilhões em compromissos pendentes de pagamento.
Diante disso, a estatal passou a tratar como prioridade a obtenção de novos recursos para recompor o caixa e quitar o empréstimo de R$ 1,8 bilhão.
Os precatórios dos Correios, portanto, se consolidaram ao longo de 2025 como um dos principais fatores de pressão sobre as finanças da empresa.
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