Operação Sem Desconto

Operação Sem Desconto completa um ano com R$ 2,9 bi devolvidos

Operação Sem Desconto completa um ano com bilhões devolvidos a aposentados e prazo aberto para contestação de descontos

Ipolítica, com informações do g1

Operação Sem Desconto completa um ano com devoluções do INSS
Operação Sem Desconto completa um ano com devoluções do INSS (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

BRASÍLIA – A Operação Sem Desconto completa um ano nesta quinta-feira (23) após revelar um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Até o fim de março, o órgão já devolveu R$ 2,95 bilhões a 4,34 milhões de beneficiários.

Apesar dos ressarcimentos, cerca de 4 milhões de aposentados e pensionistas ainda não se manifestaram sobre possíveis descontos irregulares em seus benefícios.

Esquema de descontos indevidos

A Operação Sem Desconto identificou que entidades cobravam mensalidades associativas diretamente dos benefícios previdenciários sem autorização dos segurados.

Os desvios ocorreram entre 2019 e 2024 e podem chegar a R$ 6,3 bilhões, segundo estimativas das investigações.

O esquema consistia na inclusão indevida de aposentados como membros de associações, com descontos mensais automáticos, mesmo sem consentimento.

Notificações e prazo para contestação

Em maio de 2025, cerca de 9,5 milhões de beneficiários foram notificados pelo INSS sobre a existência de descontos associativos.

A partir disso, foi aberto prazo para que os segurados informassem se autorizaram os descontos ou se desejavam contestá-los e solicitar ressarcimento.

O prazo, que foi prorrogado duas vezes, segue aberto até o dia 20 de junho.

Regras para devolução

Nos casos em que o desconto indevido é confirmado, a entidade responsável deve devolver integralmente os valores ao beneficiário em até 30 dias após notificação ou decisão administrativa.

Podem aderir ao acordo de ressarcimento aposentados que contestaram os descontos e não receberam resposta em até 15 dias úteis ou que receberam respostas consideradas irregulares.

Também estão incluídos casos de descontos realizados entre março de 2020 e março de 2025.

Mudanças na legislação

Em janeiro deste ano, foi sancionada uma lei que proíbe descontos de associações diretamente nos benefícios pagos pelo INSS.

O texto aprovado pelo Congresso previa ainda a busca ativa de beneficiários prejudicados, mas esse trecho foi vetado pelo governo.

Segundo a justificativa, a medida poderia gerar custos adicionais e riscos operacionais ao INSS.

Impactos políticos e investigação

A Operação Sem Desconto também teve repercussão política, com a saída de autoridades como o ministro da Previdência e o presidente do INSS.

O caso levou à criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o esquema.

O relatório final recomendava o indiciamento de mais de 200 pessoas, mas foi rejeitado pelos parlamentares, encerrando a comissão sem documento oficial.

Prisões e envolvidos

Diversos investigados foram presos ao longo das fases da operação, incluindo ex-dirigentes do INSS, empresários e representantes de entidades associativas.

Entre eles estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e o empresário Antônio Carlos Antunes Camilo, apontado como figura central no esquema.

A Operação Sem Desconto segue com investigações em andamento e permanece como um dos principais casos recentes envolvendo fraudes na Previdência Social.

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