Afastamento

Ministro do STJ afastado mantém remuneração após denúncia

Ministro do STJ afastado por denúncia de assédio segue com remuneração elevada, incluindo verbas extras, mesmo após decisão do CNJ

Ipolítica, com inormações do g1

Ministro do STJ afastado mantém remuneração após denúncia
Ministro do STJ afastado mantém remuneração após denúncia (Sergio Amaral/STJ)

BRASÍLIA – O caso do ministro do STJ afastado por denúncia de assédio sexual ganhou novos desdobramentos após a revelação de que o magistrado segue recebendo remuneração elevada, mesmo sem exercer suas funções há dois meses. Marco Buzzi continua recebendo valores que chegam a cerca de R$ 100 mil líquidos.

A situação ocorre apesar de uma decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de 2024, que determinou a suspensão do pagamento de verbas indenizatórias e adicionais a magistrados afastados durante processos disciplinares.

Remuneração mantida

O ministro do STJ afastado segue recebendo não apenas o subsídio fixo de cerca de R$ 44 mil, mas também valores adicionais classificados como “indenizações” e “vantagens pessoais”.

Em fevereiro, mês em que foi afastado, o valor bruto recebido chegou a R$ 132 mil. Em março, o total foi de quase R$ 127 mil. Após os descontos legais, os valores líquidos ficaram em R$ 106 mil e R$ 100 mil, respectivamente.

Segundo o CNJ, não há justificativa para o pagamento de verbas indenizatórias a magistrados que não estão no exercício efetivo da função.

Decisão do CNJ

O Conselho Nacional de Justiça reforçou que a regra vigente determina a suspensão de pagamentos extras nesses casos.

“O entendimento consolidado pelo Plenário reafirma que o afastamento cautelar justifica a interrupção do pagamento de verbas que não possuem natureza estritamente salarial”

Apesar disso, a norma não foi aplicada integralmente no caso do ministro do STJ afastado, já que os contracheques indicam valores elevados em indenizações.

Resposta do STJ

Procurado, o Superior Tribunal de Justiça informou que pretende ajustar os pagamentos nos próximos meses.

Segundo o tribunal, o magistrado passará a receber apenas o subsídio, conforme previsto na Resolução 135 do CNJ.

O STJ, no entanto, não detalhou quais benefícios foram pagos nem explicou por que os valores continuaram sendo repassados após o afastamento.

Investigação e afastamento

Marco Buzzi foi afastado do cargo após a abertura de sindicância por denúncias de assédio sexual. Posteriormente, o STJ instaurou um Processo Administrativo Disciplinar para apurar o caso.

Além disso, o ministro do Supremo Tribunal Federal Nunes Marques determinou a abertura de inquérito para investigar a conduta do magistrado.

O ministro está proibido de frequentar as dependências do tribunal e nega as acusações.

Outros casos e regra variável

O CNJ informou que, embora a regra de suspensão de benefícios esteja em vigor, a aplicação pode variar conforme o caso.

Há registros de magistrados afastados que continuaram recebendo benefícios, como auxílio-alimentação, mediante autorização do próprio Conselho.

Segundo o órgão, a análise deve considerar decisões recentes do Supremo Tribunal Federal, que também estabeleceu restrições ao pagamento de benefícios adicionais.

Defesa do magistrado

A defesa do ministro do STJ afastado afirma que as acusações são infundadas e que não há provas concretas contra ele.

Em nota, os advogados alegam que houve distorções e criticam o que classificam como exposição indevida do magistrado, que, segundo eles, tem trajetória profissional sem irregularidades.

O caso segue em apuração tanto no âmbito administrativo quanto judicial.

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