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De Olho na Economia
É economista com experiência nacional e internacional em análises macroeconômicas e microeconômicas. Possui habilidade em análises setoriais, gestão do capital humano, orçamentos e finanças.
DE OLHO NA ECONOMIA

As tendências e os desafios no setor varejista

A sobrevivência e o crescimento das empresas dependem da capacidade de equilibrar a eficiência operacional com a inovação tecnológica e o pensamento estratégico em precificação.

Wagner Matos - Economista

Atualizada em 14/04/2026 às 11h14
A sobrevivência e o crescimento das empresas dependem da capacidade de equilibrar a eficiência operacional com a inovação tecnológica e o pensamento estratégico em precificação.
A sobrevivência e o crescimento das empresas dependem da capacidade de equilibrar a eficiência operacional com a inovação tecnológica e o pensamento estratégico em precificação. (Foto: Divulgação)

Convido os amigos a entenderem melhor o setor varejista, me desenvolvi como profissional neste setor. Este é um segmento extremamente dinâmico, que movimenta volumes e valores expressivos na nossa economia. Entretanto, o setor atravessa uma fase de desafios intensos, que mescla transformações tecnológicas aceleradas com um cenário econômico pressionado pela inflação.

No início do ano, tivemos a NRF 2026 (National Retail Federation), o maior e mais importante evento mundial sobre varejo. O encontro destacou a consolidação da integração entre o físico e o digital (o conceito "phygital") e a Inteligência Artificial (IA) aplicada de forma prática à jornada do consumidor. Com mais de 40 mil participantes, as discussões focaram em como a tecnologia pode gerar conveniência imediata e personalização.

Recentemente, acompanhei um episódio do Nexoo Cast, que contou com a participação de um dos maiores especialistas do país em mercado de consumo e marcas próprias, Antônio Sá, sócio fundador da AmicciA conversa reforçou como o varejo, em sua essência, baseia-se no ciclo de comprar e revender. Esse processo me fascina, pois envolve uma engrenagem complexa de negociação, logística (armazenagem, distribuição e tecnologia), precificação estratégica e o entendimento profundo do comportamento de consumo. São variáveis que influenciam diretamente o lucro líquido que, neste setor, é historicamente apertado.

Observo que a grande transformação recente do varejo foi a união definitiva das lojas físicas com as virtuais. Este formato híbrido potencializa as vendas regionalmente e abre portas para mercados fora do estado de origem, o que é vital especialmente para micro, pequenas e médias empresas.

Contudo, o cenário macroeconômico exerce uma pressão severa sobre o setor. A elevação no custo de capital (taxas de juros), somada à carga tributária e aos custos operacionais, cria um ambiente de margens comprimidas. Vale destacar o aumento nas despesas com combustíveis, energia elétrica, embalagens e insumos. Quando essas variáveis se combinam, o repasse de preço ao consumidor torna-se inevitável, diminuindo o poder de compra da população e alimentando o ciclo inflacionário.

Para enfrentar esse cenário, uma estratégia que ganha força no varejo mundial é o desenvolvimento de Marcas Próprias. Essa categoria já ocupa 40% do mercado europeu e 25% nos Estados Unidos. Na América Latina, países como Colômbia (16%), Argentina, Chile e Peru (em torno de 12%) superam o Brasil, onde ainda temos uma participação tímida de 4%.

Existe, portanto, um espaço vasto para uma evolução acelerada em solo brasileiro. As grandes redes já lideram esse movimento, mas o sucesso depende de unir forças entre indústria e varejo, que é uma tarefa árdua. O objetivo é oferecer produtos de qualidade com preços mais acessíveis, garantindo a fidelização do cliente e melhorando as margens para ambos os lados. Somado a isso, a recente abertura para a venda de medicamentos em supermercados traz um novo fôlego ao setor, adicionando uma linha de produtos de alta demanda que deve impulsionar significativamente o fluxo nas lojas e o faturamento global.

Em suma, o varejo de 2026 não permite mais amadorismo ou estagnação. A sobrevivência e o crescimento das empresas dependem da capacidade de equilibrar a eficiência operacional com a inovação tecnológica e o pensamento estratégico em precificação. O momento exige que o varejista deixe de ser apenas um revendedor para se tornar um gestor de dados e de experiências. Aqueles que souberem utilizar a inteligência de mercado para mitigar os custos macroeconômicos e apostarem em novos modelos, como as marcas próprias, não apenas atravessarão a crise, mas liderarão a próxima década de consumo no Brasil.


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