Educação de Jovens e Adultos

Quadrinhos são usados na EJA para debater violência de gênero

Iniciativa traz personagem para conscientizar alunos.

Imirante.com

- Atualizada em 04/04/2026 às 16h54
Material traz histórias para estimular reflexão sobre violência de gênero.
Material traz histórias para estimular reflexão sobre violência de gênero. (Foto: Fisenge)

SÃO PAULO – Um material didático da Educação de Jovens e Adultos (EJA) passou a utilizar histórias em quadrinhos para abordar o assédio moral e a violência de gênero no ambiente de trabalho. A iniciativa foi desenvolvida por pedagogos da Universidade de São Paulo (USP) e incorporada à apostila de alfabetização dos anos iniciais do ensino fundamental em 2026.

O conteúdo apresenta a personagem Engenheira Eugênia, criada em 2013 pelo coletivo de mulheres da Federação Interestadual de Sindicato de Engenheiros (Fisenge). A personagem foi idealizada como forma de dar visibilidade às mulheres na engenharia e às suas lutas por direitos trabalhistas.

Quadrinhos abordam assédio, desigualdade e direitos no trabalho

A proposta pedagógica utiliza tirinhas para tratar de temas como assédio moral, violência contra a mulher, racismo, LGBTQIAPNfobia e desigualdade de gênero. O material também levanta discussões sobre condições de trabalho, como a ausência de estrutura adequada para mulheres em canteiros de obras.

De acordo com a diretora do coletivo de mulheres da Fisenge, Simone Baía, a criação da personagem surgiu da necessidade de dialogar com uma categoria historicamente dominada por homens, utilizando uma linguagem acessível e direta.

Na atividade aplicada na EJA, a personagem enfrenta situações de assédio moral no ambiente profissional, incentivando os estudantes a reconhecerem esses comportamentos e refletirem sobre respeito, igualdade e direitos no trabalho.

Iniciativa também promove representatividade entre crianças

Além do uso em sala de aula, o projeto também já foi apresentado em ações educativas, como na iniciativa Viaduto Literário, realizada no Morro da Providência, no Rio de Janeiro.

Segundo Simone Baía, durante as atividades, crianças associaram a profissão de engenheiro a pessoas ricas e distantes da sua realidade. A proposta dos quadrinhos é justamente desconstruir esse estereótipo, apresentando uma personagem mulher, negra, com trajetória profissional e vivências próximas ao cotidiano de muitas brasileiras.

Personagem ganha reconhecimento e amplia alcance do projeto

A Engenheira Eugênia já foi traduzida para o inglês, apresentada em fóruns sindicais internacionais e adaptada para diferentes formatos, como animações e materiais impressos. Em 2016, a iniciativa recebeu o prêmio da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) na categoria de direitos humanos em comunicação sindical.

Para o coletivo, o projeto segue como uma ferramenta importante de diálogo social. A avaliação é de que a discussão sobre temas como desigualdade e assédio é fundamental para promover mudanças e construir uma sociedade mais justa.

 

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