Alta do diesel

Subsídio ao diesel importado é adiado após falta de consenso entre estados

Decisão sobre subsídio ao diesel importado fica para segunda-feira após reunião sem acordo entre secretários de Fazenda.

Ipolítica, com informações de O Globo

Decisão sobre subsídio ao diesel importado é adiada após falta de consenso entre estados e governo federal.
Decisão sobre subsídio ao diesel importado é adiada após falta de consenso entre estados e governo federal. (João Sorima Neto/O Globo)

BRASIL - A decisão sobre o subsídio ao diesel importado foi adiada para a próxima segunda-feira (30), após reunião sem consenso entre secretários estaduais de Fazenda e representantes do governo federal. O encontro ocorreu nesta sexta-feira (27), em São Paulo, e durou cerca de seis horas.

A proposta, apresentada pelo Ministério da Fazenda do Brasil, prevê uma ação conjunta entre União e estados para conter a alta no preço do combustível.

Subsídio ao diesel importado divide estados

Durante a reunião, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que houve avanço nas negociações, mas ainda existem dúvidas por parte de alguns estados.

Segundo ele, uma maioria já demonstrou apoio à proposta, enquanto outros secretários devem consultar os governadores antes de tomar uma decisão final.

Entre os principais pontos debatidos estão:

  • Impacto financeiro para os estados;
  • Forma de compensação da renúncia fiscal;
  • Viabilidade operacional da medida.

Como funcionaria o subsídio ao diesel importado

A proposta do governo prevê um subsídio total de R$ 1,20 por litro do diesel importado, dividido da seguinte forma:

  • R$ 0,60 pagos pela União;
  • R$ 0,60 custeados pelos estados.

Os recursos estaduais seriam provenientes do fundo de participação de estados e municípios. A medida teria caráter temporário, com validade até 31 de maio.

A estimativa inicial é de renúncia fiscal de cerca de R$ 3 bilhões por mês, podendo chegar a R$ 3,5 bilhões, segundo técnicos da equipe econômica.

Estados apontam dúvidas e restrições legais

Apesar do avanço nas discussões, o subsídio ao diesel importado ainda enfrenta resistência de alguns estados, principalmente por questões legais e fiscais.

Entre os entraves citados estão:

  • Limitações impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal;
  • Dependência da arrecadação do ICMS;
  • Falta de margem orçamentária em algumas unidades da federação.

A proposta inicial de isenção do ICMS sobre o diesel foi descartada pelos estados, que avaliaram a medida como inviável devido ao impacto direto nas receitas.

Alta do diesel pressiona governo e economia

A discussão sobre o subsídio ao diesel importado ocorre em meio à alta expressiva no preço do combustível. Nos últimos dias, o valor médio subiu cerca de 20%, passando de menos de R$ 6 para aproximadamente R$ 7,20 por litro.

O aumento está relacionado ao cenário internacional, especialmente às tensões no Oriente Médio, que impactam o preço do petróleo.

O encarecimento do diesel preocupa setores como:

  • Transporte de cargas;
  • Agronegócio;
  • Cadeia de abastecimento.

Governo tenta conter impacto da inflação

O governo federal já adotou medidas para reduzir o impacto da alta, como a isenção de tributos e a concessão de subsídio parcial ao diesel importado.

A expectativa é de que uma decisão conjunta com os estados ajude a evitar que o aumento do combustível seja repassado integralmente ao consumidor, pressionando a inflação.

Caso não haja acordo, a questão poderá ser levada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para definição de uma alternativa.

Fiscalização e operações contra abusos

Paralelamente, órgãos federais intensificaram a fiscalização do setor de combustíveis para coibir práticas abusivas.

A Polícia Federal do Brasil realiza a operação “Vem Diesel”, que apura possíveis irregularidades em postos de combustíveis em diversos estados.

Além disso, ações conjuntas já fiscalizaram centenas de distribuidores, com registros de casos em que a margem de lucro ultrapassou 270% em curto período.

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