PL Antifacção

Prazo para Lula sancionar PL Antifacção termina nesta terça-feira

Prazo para sanção do PL Antifacção termina nesta terça; texto amplia penas, cria novas regras contra facções e entidades pressionam Lula por veto parcial

Ipolítica, com informações do g1

PL Antifacção aguarda sanção de Lula; projeto amplia penas, endurece regras contra facções e entidades pedem veto parcial por risco a direitos.
PL Antifacção aguarda sanção de Lula; projeto amplia penas, endurece regras contra facções e entidades pedem veto parcial por risco a direitos. (Ricardo Stuckert / PR)

BRASÍLIA – O prazo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionar o Projeto de Lei (PL) Antifacção termina nesta terça-feira (24). O projeto amplia penas, cria novos crimes e estabelece regras mais rígidas para integrantes de organizações criminosas.

O PL Antifacção também tem sido alvo de críticas de entidades da área de segurança pública e direitos humanos, que pressionam por veto parcial ao texto aprovado pelo Congresso.

Prazo de sanção

Segundo a agenda presidencial, o projeto deve ser sancionado, mas ainda não foi informado se haverá veto a algum trecho.

A proposta foi enviada pelo Executivo ao Congresso Nacional e relatada na Câmara pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP), o que gerou críticas sobre a versão final aprovada.

Entre os principais pontos está o aumento de penas para crimes ligados a organizações criminosas, que podem chegar a 40 anos de prisão.

Regras do projeto

O texto trata de organizações criminosas, paramilitares e milícias privadas que atuam mediante violência ou grave ameaça.

O relator incluiu a definição de “organização criminosa ultraviolenta", diferente da proposta original do governo, que mencionava facções criminosas.

O projeto dificulta a progressão de regime, cria novos tipos penais e amplia instrumentos de investigação.

Também prevê:

  • penas de 20 a 40 anos para crimes cometidos por facções ultraviolentas
  • definição de novo cangaço, domínio territorial e uso de explosivos ou drones
  • cumprimento de pena em presídios federais para lideranças
  • monitoramento audiovisual de parlatórios
  • bloqueio e confisco ampliado de bens
  • intervenção judicial em empresas usadas por facções
  • internação obrigatória em presídio federal para líderes

O texto não altera a Lei Antiterrorismo nem modifica atribuições da Polícia Federal.

Críticas ao texto

Entidades ligadas à segurança pública e aos direitos humanos pedem veto parcial ao PL Antifacção.

Segundo a Rede Justiça Criminal, o projeto amplia o encarceramento e pode atingir pessoas sem participação direta no crime organizado.

“O projeto não enfrenta o crime organizado de verdade. Ele amplia o encarceramento e pode atingir quem não está no comando”, afirmou a entidade.

As organizações afirmam que o texto cria mecanismos que facilitam perseguição penal e reduzem garantias constitucionais.

Pontos contestados

Entre os dispositivos criticados está a suspensão de direitos políticos de presos provisórios.

Segundo as entidades, a medida viola normas constitucionais e tratados internacionais de direitos humanos.

Também são questionados:

  • definição considerada vaga de organização criminosa ultraviolenta
  • punição igual para líderes e integrantes de baixo escalão
  • proibição de fiança e livramento condicional
  • punição de atos preparatórios
  • restrição ao auxílio-reclusão
  • mudança de competência do Tribunal do Júri

As organizações afirmam que as penas elevadas não atingem necessariamente o comando do crime.

Carta à ONU

A Rede Justiça Criminal e a Conectas Direitos Humanos enviaram manifestação às Nações Unidas criticando a tramitação do projeto.

Segundo as entidades, o texto foi aprovado sem diálogo com a sociedade civil e pode violar princípios como presunção de inocência e progressividade da pena.

Na carta, as organizações afirmam que o projeto permite medidas com base apenas em indícios e pode atingir familiares e moradores de periferia sem envolvimento com facções.

Também foi criticada a previsão de restrição a visitas íntimas e a possibilidade de audiências de custódia por videoconferência.

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