BRASIL - O embaixador do Brasil no Irã, André Veras, afirmou que a derrubada do regime do Irã por forças militares estrangeiras seria uma operação extremamente difícil e com alto custo humano e econômico.
Em entrevista à Rádio Nacional nesta segunda-feira (9), o diplomata classificou uma eventual ofensiva para mudar o regime do Irã como uma tarefa “hercúlea” e “sangrenta”.
Segundo ele, ataques aéreos isolados não seriam suficientes para provocar uma mudança de governo no país.
“Não haveria uma possibilidade de mudança ou de algum fim deste conflito apenas com ataques aéreos”, afirmou o embaixador.
Na avaliação de Veras, qualquer tentativa de derrubar o regime do Irã exigiria uma incursão terrestre com envio de tropas estrangeiras.
Território e capacidade militar dificultariam ação contra o regime do Irã
De acordo com o embaixador, uma operação militar em larga escala enfrentaria obstáculos significativos, principalmente por causa das características geográficas e militares do país.
Entre os fatores apontados pelo diplomata estão:
- grande extensão territorial do país;
- presença de regiões montanhosas que dificultam operações terrestres;
- capacidade militar e ofensiva do Estado iraniano.
O conflito atual começou após ataques aéreos realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra alvos estratégicos no país.
Os bombardeios resultaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, além de centenas de civis.
População tenta manter rotina apesar dos ataques
Mesmo com a escalada do conflito, o embaixador afirma que parte da infraestrutura do país continua funcionando.
Segundo Veras, serviços essenciais seguem operando e a população tenta manter a rotina cotidiana.
Entre as situações observadas no país estão:
- comércio aberto em várias cidades;
- aulas ocorrendo de forma remota;
- abastecimento regular de água, energia e gás;
- racionamento de gasolina devido à limitação da capacidade de refino.
Essa capacidade de manter serviços básicos em funcionamento demonstra, segundo o diplomata, a resiliência institucional e estrutural do regime do Irã.
Substituição rápida de liderança reforça estabilidade institucional
Após a morte de Ali Khamenei, o sistema político iraniano realizou rapidamente a substituição do líder supremo.
A Assembleia dos Especialistas escolheu seu filho, Seyyed Mojtaba Khamenei, de 56 anos, para assumir a liderança do país.
Para o embaixador brasileiro, o processo evidencia a estrutura institucional do regime do Irã, que possui mecanismos automáticos para sucessão de cargos importantes.
Apesar disso, a escolha do filho do antigo líder também pode intensificar críticas internas.
Isso porque a Revolução Islâmica de 1979 derrubou a monarquia do xá Reza Pahlavi, que tinha caráter hereditário.
Brasil acompanha situação de cerca de 200 brasileiros no Irã
O governo brasileiro monitora a situação dos cidadãos que vivem no país.
Segundo o embaixador, cerca de 200 brasileiros vivem atualmente no Irã, a maioria formada por mulheres casadas com iranianos.
Até o momento, não há discussão sobre uma operação de retirada em massa, já que:
- as fronteiras terrestres continuam abertas;
- rotas de saída para países vizinhos seguem funcionando;
- não houve aumento significativo de pedidos de evacuação.
Ainda assim, o diplomata mantém contato diário com o Itamaraty, que atualiza constantemente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a evolução do conflito.
Diplomacia ainda é vista como caminho possível
Apesar da escalada militar, Veras avalia que ainda existe espaço para uma solução diplomática para o conflito envolvendo o regime do Irã.
Na avaliação do embaixador, tanto o país quanto a comunidade internacional têm interesses econômicos que favorecem uma negociação.
O Irã busca o fim das sanções impostas pelos Estados Unidos, enquanto o governo de Donald Trump e outras nações dependem da estabilidade das rotas comerciais e do mercado global de energia.
Segundo o diplomata, o aumento dos custos da guerra pode pressionar as partes envolvidas a buscar um acordo.
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