Caso Master

PF abre inquérito para investigar tentativa de suicídio de “Sicário” na prisão

Investigação apura circunstâncias da tentativa de suicídio de investigado preso na Operação Compliance Zero, que apura fraudes ligadas ao Banco Master

Ipolítica, com informações do g1

PF abre inquérito para investigar tentativa de suicídio de Sicário, investigado na Operação Compliance Zero ligada ao Banco Master.
PF abre inquérito para investigar tentativa de suicídio de Sicário, investigado na Operação Compliance Zero ligada ao Banco Master. (Reprodução)

BRASÍLIA – A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar a tentativa de suicídio de Sicário, apelido de Luiz Philipi Machado de Moraes Mourão, preso na Operação Compliance Zero. O caso ocorreu enquanto ele estava sob custódia da corporação na Superintendência Regional da PF em Minas Gerais.

Segundo comunicado divulgado pela Polícia Federal nesta quinta-feira (5), o investigado “atentou contra a própria vida enquanto se encontrava sob custódia da instituição”. A abertura do procedimento busca esclarecer as circunstâncias da tentativa de suicídio de Sicário e verificar as condições da custódia no momento do ocorrido.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que toda a ação e o atendimento prestado pelos policiais estão registrados em vídeo.

“Todo o ocorrido, desde a ação dele até o atendimento prestado pelos policiais, está filmado sem pontos cegos”, declarou o diretor-geral.

Registros foram enviados ao STF

A Polícia Federal informou que comunicou o episódio ao gabinete do ministro André Mendonça, relator das investigações relacionadas ao Banco Master no Supremo Tribunal Federal.

De acordo com a corporação, todos os registros em vídeo que mostram a dinâmica do ocorrido serão encaminhados ao gabinete do ministro para análise.

A investigação interna deverá apurar as circunstâncias do episódio, incluindo as condições da custódia e o atendimento prestado ao investigado.

O que diz a defesa

A defesa de Mourão afirmou, em nota divulgada nesta quarta-feira, que esteve com o cliente durante o dia e que ele estava em boas condições de saúde.

Segundo os advogados, o contato ocorreu até por volta das 14h, momento em que ele apresentava plena integridade física e mental. Ainda de acordo com a defesa, a informação sobre o episódio foi conhecida apenas após a divulgação da nota oficial da Polícia Federal.

Os advogados informaram também que estavam no Hospital João XXIII acompanhando a situação, mas disseram que ainda não havia confirmação sobre o estado de saúde de Luiz Phillipi.

Papel na organização investigada

Conhecido como “Sicário”, Mourão foi preso na Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

Na mesma operação, também foi preso o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado pelos investigadores como líder da organização criminosa.

De acordo com as investigações, Mourão teria papel central na estrutura do grupo. Os investigadores apontam que ele executava ordens relacionadas ao monitoramento de alvos, à extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e à realização de ações de intimidação física e moral.

Relatórios da investigação também mencionam conversas entre Vorcaro e Mourão que indicariam uma dinâmica violenta dentro da organização. Segundo os investigadores, ele atuaria como “longa manus”, expressão utilizada no contexto jurídico para indicar alguém que age em nome de outra pessoa.

As apurações também apontam indícios de que Mourão receberia cerca de R$ 1 milhão por mês de Vorcaro como remuneração pelos serviços ilícitos atribuídos à organização.

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