Conselho Nacional de Justiça

AGU pede que CNJ investigue decisão sobre estupro de vulnerável

AGU aciona CNJ após desembargador absolver homem acusado de estupro de vulnerável contra menina de 12 anos.

Ipolítica, com informações da Agência Brasil

AGU pede que CNJ investigue decisão que absolveu acusado de estupro de vulnerável contra menina de 12 anos.
AGU pede que CNJ investigue decisão que absolveu acusado de estupro de vulnerável contra menina de 12 anos. (Foto: Wesley Mcallister / Ascom AGU)

BRASÍLIA – A Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério das Mulheres pediram nesta quarta-feira (25) que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) investigue a conduta do desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que absolveu um homem acusado de estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos.

O pedido foi encaminhado após decisão da 9ª Câmara Criminal do TJMG, baseada no voto do desembargador Magid Nauef Láuar, que havia absolvido o acusado e a mãe da adolescente, apontada como conivente com o crime.

AGU diz que decisão afronta Constituição

Na manifestação enviada ao CNJ, a AGU argumentou que a decisão sobre o caso de estupro de vulnerável afronta a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Segundo o órgão, a justificativa apresentada no voto, que mencionava a suposta formação de núcleo familiar entre o acusado e a adolescente, é incompatível com o sistema jurídico de proteção à infância.

“A interpretação de suposta formação de núcleo familiar é incabível diante de todo o sistema jurídico protetivo pátrio das crianças e adolescentes. Não se trata de relação de afeto, de família, mas sim de relação de exploração sexual”, afirmou a AGU.

Desembargador recua e restabelece condenação

Horas após a repercussão do caso, o desembargador proferiu decisão individual restabelecendo a sentença de primeira instância que havia condenado o homem por estupro de vulnerável, bem como a mãe da adolescente.

O magistrado também determinou a prisão dos dois acusados.

O caso reacendeu o debate sobre a aplicação da legislação referente ao estupro de vulnerável e levou a AGU a solicitar a apuração da conduta do magistrado no âmbito do CNJ.

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