Pastor diz que integrantes da Acadêmicos de Niterói terão “câncer na garganta” após desfile em homenagem a Lula
Declaração foi feita durante culto em São Paulo e gerou reação de políticos e lideranças evangélicas.
BRASIL - O pastor Elias Cardoso, da Assembleia de Deus de Perus, em São Paulo, afirmou durante culto nesta segunda-feira (17) que integrantes da escola de samba Acadêmicos de Niterói “vão lembrar com quem mexeram” caso enfrentem “câncer na garganta”. A declaração foi feita após o desfile da agremiação no domingo (16), na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Durante a apresentação, a escola levou para a avenida uma ala intitulada “neoconservadores em conserva”, com fantasias que representavam famílias religiosas dentro de latas. A alegoria gerou críticas de grupos evangélicos nas redes sociais.
Declaração durante culto
Em vídeo publicado em seu perfil e nas redes sociais da igreja, o pastor afirmou:
“Não vamos responder às provocações que fizeram nas escolas de samba. […] Tripudiaram em cima da nossa fé, não vamos responder. Vamos orar. A hora que esses homens estiverem com câncer na garganta, eles vão lembrar com quem mexeram.”
A fala repercutiu entre lideranças religiosas e políticos ligados a pautas conservadoras.
Reações de políticos
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) afirmou que o desfile expôs “a fé cristã ao escárnio” e declarou que a laicidade do Estado “não autoriza zombaria e humilhação”. Ela também cobrou posicionamento da Frente Parlamentar Evangélica.
O presidente da bancada, deputado federal Gilberto Nascimento (PSD-SP), classificou a fantasia como “inadmissível” e disse que o desfile tratou conservadores como inimigos.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) mencionou as eleições ao afirmar que os evangélicos devem se lembrar do episódio “na hora de votar”.
Também se manifestaram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que criticaram o que chamaram de ataque à fé cristã. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que “usar verba pública para ridicularizar a igreja evangélica é inadmissível”.
Nota da escola
Após o desfile, a Acadêmicos de Niterói divulgou nota afirmando que foi alvo de perseguição durante o processo carnavalesco.
Segundo o comunicado, a agremiação “sofreu ataques políticos e enfrentou setores conservadores” ao longo da preparação do desfile.
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